segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Fala, chefe! (Chef Fabrice)

Recentemente fomos a um bistrô muito simpático e aconchegante na Vila Madalena, o Chez Fabrice. Vocês se lembram?


Quem nos acompanha sabe que nunca entendemos direito qual é o grande barato da cozinha francesa. É difícil questionar verdades sacramentadas da gastronomia mundial, uma vez que justamente os conhecedores desse setor se consideram a última azeitona da empada.

Pra nos ajudar nessa busca, o simpático chef Fabrice Delassus resolveu contar um pouco de sua história. Ajudou-nos a traçar as pistas dessa admiração universal pela cozinha francesa.

Pelo que ele diz, você vai ver que o conceito de sofisticação talvez esteja enraizado no hábito e na tradição, não tanto na ousadia ou na força dos sabores. Válido? Arcaico? Só indo a um bistrô para tirar suas conclusões.

Chega de falar e bora pra entrevista:

Primeira pergunta, já de praxe: o que faz de um restaurante um BOM restaurante?
Um bom restaurante é uma combinação de várias coisas, entre elas uma boa comida e bem executada, atendimento atencioso, ambiente agradável e clientes satisfeitos.

Os pratos da cozinha francesa não são tão fartos - e aqui no Brasil, o pessoal gosta de encher o prato de comida. A que se deve essa diferença?
Eu acho que a quantidade que se come é uma questão de hábito. Na França é costume uma refeição ser composta de vários pratos como entrada, prato principal, queijos, salada e sobremesa, o que considero bastante comida. Já no Brasil, a refeição tradicional é basicamente composta de prato único e por isso bem farto. Como disse, é só uma questão de hábito.

Por que você escolheu o Brasil pra abrir um negócio, e não qualquer outro lugar do mundo? O que lhe trouxe aqui?
Eu trabalhava em Londres, e posso resumir em três as principais razões que me fizeram escolher o Brasil. A primeira foi o investimento. Em Londres, seria muito caro abrir um empreendimento. Lá eu não conseguiria recursos suficientes para concretizar o sonho de abrir meu próprio negócio. Outro fator importante foi o fato de aqui ser um país emergente, economicamente falando, enquanto praticamente toda a Europa encontrava-se num cenário de crise. O terceiro motivo: eu estava cansado de frio e chuva depois de 13 anos em Londres. Eu nasci no sul da França, uma cidade de litoral, Saint-Raphael, desejava viver numa região com um clima mais agradável, uma região quente e próxima à praia. Então, aqui estou.

Como foi abrir um bistrô num bairro agitado como a Vila Madalena? A receptividade foi boa?
Hoje a Vila Madalena mudou bastante, não tem apenas o perfil de baladas, embora concentre ainda muitos bares e botecos. Começa a despontar nessa região uma vocação gastronômica em que eu apostei e, felizmente, tenho tido boa receptividade desde dezembro de 2008, quando inaugurei o Chez Fabrice.

O que lhe encanta na cozinha francesa?
A diversidade. Não é possível ter uma única definição para as características da cozinha francesa, ela é muito variada. Cada região da França tem suas características específicas da região, com o emprego de ingredientes regionais e uma maneira própria de preparar cada prato, diferentes em cada lugar do país. Por exemplo, o norte utiliza mais manteiga e creme de leite nas receitas enquanto que no sul a preferência é pelo emprego de azeite e de verduras.

Qual é o seu prato preferido?
O Cassoulet. A razão é mais emotiva, porque esse era o prato que minha mãe preparava e, como toda receita de mãe é preferida, nos acostumamos a saborear esse prato especialmente nos dias mais frios de inverno.

Você gosta de comida brasileira?
Eu gosto muito da culinária brasileira, porém ainda tenho muito a conhecer. Do que já conheço, meu prato predileto é a feijoada, talvez porque lembre o cassoulet, ambos são preparados com feijão e muitos ingredientes em comum. Outro prato que me agrada muito é a moqueca de peixe, por sua exuberância no tempero e nos paladares que desperta.

Pensa em misturar elementos da nossa cozinha no seu menu?
Eu não acho viável porque a proposta do Chez Fabrice é a cozinha de bistrô que oferece os clássicos da culinária francesa, embora possamos utilizar no preparo dos pratos alguns temperos daqui. Quem sabe num próximo empreendimento eu não me arrisque na culinária brasileira!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Jardim di Napoli

Acredito muito que viver junto pode ser pra sempre. Isso porque tenho perto de mim os melhores exemplos. Avós que estiveram unidos até o fim, pais bastante companheiros e sogros na mesma toada há 27 anos. Pois é, 27 anos. Detalho especificamente essa data porque foi ela que nos levou ao Jardim di Napoli, um restaurante italiano em Higienópolis, num bonito domingo de sol. Gabi escolheu a cantina fazendo propaganda do famoso polpettone servido por lá - nós já conhecíamos, os pais dele não.

Família que almoça cedo, chegamos ao restaurante mais tarde do que gostaríamos, às 13h. E já estava completamente lotado. Nos banquinhos do andar de baixo e no bar do mesanino, os comensais se espremiam à espera de uma mesa. Recebemos aquele moderno esquema de senha, um aparelho que pisca incessantemente quando chega a sua vez de sentar, e fomos até o bar acalmar as lombrigas.

Gabi, que há pouco tempo virou um admirador de berinjela, escolheu um antepasto cujo nome me esqueci, mas que consiste numa fatia fina de berinjela que, depois de ir ao forno, é recheada com tomate seco e dormida no azeite. A porção consiste em seis unidades. Olha só que saborosa:


No meio da degustação e da surpresa boa que foi descobrir essa entrada, nosso aparelho começou a piscar loucamente e lá fomos nós ocupar um lugarzinho ao sol. Apesar da lotação, nos sentamos em coisa de quinze minutos. A rotatividade do Jardim di Napoli é muito grande, o serviço é rápido e a cozinha trabalha sem relaxar com o calor do forno. Isso é ótimo, porque num lugar ainda não acostumado a lidar com espera, teríamos comido umas dez entradas esperando uma mesa.

De volta ao menu, todo mundo só tinha certeza de uma coisa: o famoso polpettone à parmigiana. Então, garçom, vê dois pra gente! Não pedimos quatro porque os pratos são enormes e também quisemos comer uma massa. Eu e Gabi dividimos um polpettone e um nhoque ao sugo:


Os pais dele foram de polpettone com conchiglione, aquela massa que parece uma concha com recheio de queijo, ao molho branco:


O fama do polpettone não é mito. Esse bolo de carne recheado com mussarela e servido com molho de tomate é de chorar de tão bom. Enorme, carne macia por dentro e com uma leve casquinha da fritura por fora, muito recheio e mergulhado no molho. Não é a toa que é o carro chefe da cantina e, se você reparar bem, pedido por todas as mesas. Acabo de ler uma entrevista com o dono em que ele diz chegar às 6h30 da matina para preparar mais de 500 bolos de carne.

As massas também são muito bem feitas. Nhoque tem aquela coisa de ficar molengo e grudando na boca que nem bala de goma, mas lá é super firme e macio. O molho de tomates é meio adocicado, muito gostoso também. Os pais do Gabi também aprovaram a massa e o molho branco.

De volta à rapidez do serviço, nossos pratos chegaram à mesa em exatos cinco minutos. Super quentes e deliciosos. Os garçons são mais velhos e devem trabalhar ali faz tempo, o que faz com que dominem o cardápio de trás para frente. São discretos e muito eficientes. Fora que rola aquele clima de cantina italiana super aconchegante pra quem é descendente: cheiro de massa e molho de tomates, toalha xadrez, o tilintar dos talheres e uma certa gritaria, porque cantina italiana não combina com a discrição de conversar baixinho!

Todo mundo saiu com a sensação de que esses 27 anos de casamento foram muito bem comemorados. O almoço deu em torno de R$ 220, com três pratos (dois polpettones, um nhoque e um conchiglione divididos em quatro pessoas), uma entrada, quatro bebidas, um café e os 10%. Não é pesado, porque comemos muito bem e gastamos R$ 55 por pessoa. Ah, e aos domingos o estacionamento é de graça! Viva a tradição do Jardim di Napoli, que merece uma nota 10 por conseguir se manter no topo mesmo depois de tantos anos.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Chez Fabrice

Falar de comida francesa talvez seja o ponto máximo da vida de um crítico gastronômico. Afinal, é lugar comum dizer que se trata de uma cozinha clássica, sofisticada, cheia de detalhes. Como não somos críticos gastronômicos, visitar um restaurante de cozinha francesa, do alto de nossa leiguice, não passa de mais uma oportunidade de desfrutar experiências diferentes pra vida.

Nessas andanças, acabamos encontrando o Chez Fabrice, um bistrô escondido em meio à agitação da Vila Madalena. Mesmo estando bem próximo ao burburinho do quadrilátero da Aspicuelta (Posto 6, São Bento, Patriarca e José Menino), o restaurante é super tranquilo e nada barulhento. Fica até difícil encontrá-lo em meio a tanto agito! Lá dentro é super aconchegante e intimista, um clássico bistrô. Logo na chegada, fomos recepcionados pelo simpático proprietário Fabrice Delassus, que parece fazer questão de dar as boas-vindas - com o devido sotaque - a todo visitante.

Acompanhados de outro casal querido, Rafa e Beca, começamos a debulhar o cardápio. Todos as opções estão em francês, com tradução e explicações em português. Se ainda restar dúvida, consulte os garçons - que são muito bem instruídos, sabem com propriedade do que estão falando.

De entrada, pedimos trouxinhas de queijo Boursin, um queijo de cabra pasteurizado acrescido com creme de leite. Ele é bem cremoso e saboroso, mas a trouxinha deixou a desejar. Criamos uma grande expectativa pela entrada, que demorou mais de 30 minutos para chegar à mesa e cuja massa, bem fininha e pouco saborosa, não chegou a surpreender.


De qualquer forma, o que ajudou a enganar a fome foi o couvert - super completo!

De prato principal, pedi confit de pato com risoto de cogumelos. A apresentação é muito bonita, saca só:


O prato também estava delicioso. A carne estava limpinha, muito bem temperada (confit bem preparado!), e tinha uma casquinha muito saborosa. O risoto de cogumelos também estava super gostoso, tinha vários shitakes e harmonizou bem com a carne de pato. Mas é bom deixar claro: o prato não é abundante, vem pouco risoto.

Maricota pediu Bouef Bourguignon porque, desde que assistiu ao filme "Julie & Julia", criou simpatia pelo grande desafio da vida de Julie Powell, a Julia Child moderna. A câmera do celular não ajudou muito porque o conteúdo do prato é escuro, mas é um cozido bonito.


Cheia de expectativa, Maricota ficou um pouco decepcionada. Não que tenha achado o prato ruim, mas disse esperar mais. O Bouef Bourguignon é uma carne cozida em vinho de Borgonha, daí o nome. O ensopado ainda leva cenoura, bacon, cebolinha e cogumelos. É um prato marcante, em que prevalece o sabor do vinho. A carne estava macia.

Para finalizar, ainda emprestamos algumas colheradas de um Petit Gatêau com sorvete de pistache do Rafa, que havia pedido um menu fechado por R$ 50. Essa opção vale a pena, pois oferece uma entrada, um prato principal e uma sobremesa. E a sobremesa, como não poderia deixar de ser, estava bem boa:


A experiência foi ótima. Um ambiente agradabilíssimo, atendimento ótimo e comida muito bem preparada. Pagamos algo em torno de R$ 70 por pessoa e valeu muito a pena. O ponto baixo é a demora dos pratos, mas isso não chegou a incomodar porque o papo e o couvert estavam ótimos!

Um ponto positivo do restaurante é o site dele, que oferece o cardápio completo com preços. Ou seja: deixa claro o que oferece e quanto cobra por isso. Quer qualidade maior do que a honestidade?

Colocando os prós e contras na balança, anotamos mais uma nota 10.

A grande lição é: esteja preparado para comer com decência, e não como um troglodita. A dica é destinar duas horinhas para o jantar. Aproveite o passeio, delicie cada minuto dentro daquele espaço aconchegante e saboreie cada garfada, porque vale a pena.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Fábrica Pizza-bar

É sempre complicado falar de pizza. Todo e qualquer cidadão paulistano se dá o direito de eleger a melhor pizzaria da cidade por inúmeras razões. Tentar provar o contrário é como forçar um corinthiano a torcer para o São Paulo, ou fazer um xiita se tornar sunita. Desista, não vai levar a nada.

Mas, por aqui, o que podemos fazer é recomendar uma boa pizzaria. Há algum tempo, temos comido uma pizza deliciosa, num local muito agradável, com atendimento bem atencioso. Trata-se da Fábrica Pizza-Bar, localizada na rua Caraibas, 386, em Perdizes.

O atendimento é sempre super simpático. Garçons e garçonetes conhecem as opções de cabo a rabo, e estão sempre atentos a qualquer pedido ou insatisfação.

O cardápio é honesto. Pizzas de sabores tradicionais e mais exóticos (salmão, carne seca, frango poró) variam de R$ 30 a R$ 40. A dica fica para pedir a massa pan, que vem macia e ao mesmo tempo crocante. Além disso, é possível dar um toque especial de tempero: azeite, queijo ralado, orégano e pimenta.


Pra quem estiver na fúria, é legal pedir uns tubinhos com massa fina (tipo panquequinha) de entrada. Os sabores: catupiry, chili ou pomodori. Um melhor que o outro! Por R$ 11, são ótimos para enganar o estômago durante os 20 ou 30 minutos em que a pizza é preparada.

Há algumas semanas, estivemos lá com os irmãos da Mari e pedimos duas pizzas. A primeira foi de marguerita. Honestíssima!


Em seguida, meia de calabresa, e meia de atum.


Atum é aquilo, né... "ame-o" ou "deixe-o". Maricota adora, principalmente com a massa fina da Fábrica (que ela também acha crocante, mais leve que a pan). O atum vem com bastante queijo e tomate, fica bem saboroso! Olha só:


A de calabresa também é bem saborosa, com fatias bem passadas e vários pedaços de azeitona e tomate:


Gostamos tanto do local que recentemente resolvi comemorar meu aniversário por lá. Afinal, não é em qualquer lugar que se encontra chope Heineken por R$ 4,30 e chope Xingu por R$ 4. Foi ótimo! Pelo que senti os convidados acharam o ambiente bem bacana - e o melhor: a pizza também foi aprovada.

Quem ainda quiser uma sobremesa, pode pedir pizza de chocolate com morango ou sorvetes Häagen-Dazs. Quer mais o quê?

A nota é 10 para a Fábrica, porque ainda não encontramos motivos para criticar. Há quem diga que o preço é salgado, mas o cardápio e o serviço justificam a cobrança.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Makis Place

Não conhecemos nadica no Morumbi e precisamos nos aventurar por lá no fim de semana. Fomos conversar com dois jovens moradores da comunidade Vila Andrade, uma região extremamente pobre no meio daqueles prédios colossais do bairro. O assunto? BLOG! Os garotos estão começando a entender o papel que a internet pode ter na vida deles, ajudando a divulgar os talentos da comunidade e colocando o pessoal que convive com eles pra pensar sobre os problemas da região. Batemos um papo muito legal por cerca de duas horas, montamos o blog deles e postamos os primeiros textos. Depois dê uma passada lá pra incentivar a meninada: http://www.palavradeadolescente.blogspot.com/

Mas o que é que isso tem a ver com o Restaurante Couple? Tudo! Além da gente ter espalhado uma sementinha por lá e torcer pra que eles sigam firmes nesse mundo digital, o caminho de volta nos colocou de cara com uma temakeria bem bonitinha, a Makis Place. Hora do almoço, barriga roncando e por que não arriscar...

No calor que fazia sábado, o ambiente climatizado caiu muito bem. Sentamos num sofá espaçoso, não muito colado à mesa ao lado. Ótimo, pudemos conversar sem que eu ficasse de orelha ligadona nas conversas paralelas.

Não me lembro de um cardápio de temakeria tão cheio de opções como o do Makis. Várias páginas, muitos temakis diferentões e mais outros pratos típicos de um japonês: sushis, sashimis, grelhados. Eles tem a família do Salmão, do Atum e de outros peixes. Cada família dessa tem um montão de variações, que vão desde queijo brie a macadâmia, abacate a abobrinha. No mínimo diferente.

Em toda temakeria que vamos eu procuro por algo empanado. Na Makis eu achei! Salmão empanado, quente e crocante, cream cheese e cebolinha. Muito, muito gostoso. O melhor de tudo é que não precisei largar a pontinha do cone por falta de recheio. Até o último minuto havia um delicioso salmão me esperando...

Gabi fez uma escolha mais tradicional, mas não menos gostosa, salmão skin. Também muito generoso na quantidade de recheio e enrolado numa alga super crocante. Fazia barulho a cada mordida.

Mas a surpresa mesmo ficou por conta de um temaki que no lugar do arroz tem flocos de arroz. Tá certo que não somos o tipo de casal que vive experimentando temaki, mas mesmo assim nunca ouvi alguém falar de algo assim. É novidade, não é? Nós gostamos demais da criança. Achei mais pesado do que o temaki comum, tanto que não aguentei comer inteiro, mas é mil vezes mais saboroso. Nós escolhemos um de salmão com cream cheesse. Essa bolinhas é que são os flocos...

Quatro temakis e dois refrigerantes nos sairam R$ 55. Gostamos do ambiente, adoramos a comida, mas achei o atendimento um pouco desorientado. Pode ter sido uma infelicidade do dia, mas aqui nós avaliamos o conjunto da obra no momento da visita. De qualquer maneira, achei o temaki de peixe empanado que só comia no Komê Sushi e que não encontrava em mais lugar nenhum, e isso é uma imensa felicidade! Nota 8 para o Makis.