domingo, 24 de julho de 2011

Ritz (Alameda Franca)

Recentemente eu e Maricota comemos um lanche não muito legal num lugar não muito bacana, e - como criança quando começa a brincar com a comida - acabei me distraindo durante a refeição. Prestei atenção no queijo.

Vi que o queijo derretido foi endurecendo, endurecendo, e nas mordidas derradeiras já estava duro. E queijo duro depois de derretido fica envelhecido, não é bom.

As perguntas surgiram: como fazer um lanche que fique ponta firme até a última mordida? Qual é o ponto do queijo? Que queijo harmoniza melhor com hamburguer? Qual fica derretido por mais tempo? Como não grudá-lo no pão - naipe X-burger da lanchonete da escola, lembra? Aquela mussarela borrachenta, meio quente meio fria...

E finalmente: hamburguer precisa vir com queijo? Precisa ser cheeseburger, não pode ser só burger?

Até que me lembrei que recentemente tivemos uma experiência bem bacana de hamburguer sem queijo. Foi no Ritz da Alameda Franca.

Pra começar o ambiente dessa unidade é bem legal. Um salão apertado e um mezanino mais apertado ainda se unem por mesas... apertadas. Chegamos por volta das 14h de um sábado, e ficamos cerca de meia hora lá fora esperando uma mesa, enquanto bebemos uma Heineken. Restaurante in tem dessas...

O cardápio não deixa muitas opções, naquele estilo que só Spot e Ritz imprimem à carta: pratos simples com preços exorbitantes. Aliás, os preços de restaurantes hoje estão extremamente longe do razoável, é de perder o tesão.

Como estava tudo muito caro, resolvemos apostar em algum hamburger. Há várias opções por preços honestos.

De entrada, bolinhos de arroz (também famosos). São ótimos, mas os da dona Hilda-minha-mãe dão um pau. O grande destaque é pro relish de pepino adocicado que acompanha - compõe muito bem!


Logo depois chegaram os pratos. Eu pedi um Diamond Special, hamburguer de 200g com sauce hollandaise (molho ótimo, leve, que não rouba o sabor), acompanhado de uma salada ótima, fresquinha. No meu caso, carne bem passada - mas não esturricada:


Maricota pediu um Hamburger Poivre, no pão com gergelim - também acompanhado de salada.


Eu saí de lá com a certeza de que comi um dos melhores hamburgueres da minha vida. Tempero na medida, carne saborosa, com uma consistência ótima. Não desmanchava, mas também não eram aqueles blocos de carne moída geralmente suspeitos. Honestíssimo. Combinou direitinho com a salada. E não fizeram falta o queijo e o pão! Talvez essa descoberta tenha sido o grande tempero da refeição.

Maricota gostou bastante, também, mas não a tal ponto. O almoço foi ótimo, saímos de lá muito satisfeitos com o atendimento, com a curta demora para os pratos chegarem à mesa, com o ambiente e com a conta: R$ 91, inclusos o serviço, a entrada, a cerveja - pagos no VR!

Já havíamos ido a outra unidade do Ritz, e tinha ficado uma sensação de que o hamburguer não era tudo isso. Dessa vez, superou as expectativas. Nota 10 pro Ritz da Alameda Franca e a certeza de que, vez ou outra, há vida sem queijo. Ah, e se alguém tiver pistas de qual é o melhor queijo para montar lanches, por favor, compartilhe!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Por que não usamos sites de compras coletivas

Por uma questão de princípios, eu e Maricota nunca nos interessamos pelas promoções oferecidas pelos sites de compras coletivas. Sempre ficamos com dois pés atrás: quando a oferta é muito atraente, pode contar que o produto final nunca estará à altura.

Dito e feito. Nos últimos meses, percebemos que diversos amigos foram verdadeiramente enganados por cupons e vouchers que prometiam experiências fantásticas - e as compras, feitas no impulso, nada mais traziam do que decepções.

Quem corrobora é a querida amiga Kica, que gentilmente nos ofereceu o seguinte testemunho:

"Se quiser se frustrar em uma noites destas, vá ao Carambolla. Tem cara de bistrô, é bonitinho, mas não entrega o que vende. Já fui duas vezes e a experiência foi péssima. Há alguns dias, eu e um grupo de amigos fomos saborear um rodízio de sopas. Compramos um voucher num site de compras coletivas. Eles prometiam 9 variedades. Tinham duas! Depois de reclamarmos, eles fizeram um caldinho de feijão só para a gente. E olha que o restaurante estava lotado! Cheio de gente com o voucher na mão! Fico pensando que estas pessoas, que compraram o direito de escolher entre 9 sopas, acabaram tendo que se contentar com duas opções de mandioquinha: com batata e com cenoura! Depois de meia hora, eles colocaram um creminho de aspargo – bem salgado, aliás.

Ao final, pedimos crepe de sobremesa, com sorvete. Veio sem sorvete. Quando reclamamos, eles disseram simplesmente que não tinha. Não avisaram e não descontaram do valor do prato. Uma enganação.

Quando ouvirem Carambolla fujam! Porque é um roubada, das grandes... Pelo menos a entrada estava gostosa: queijo coalho com geléia de pimenta e mel. Se não fosse essa “entradinha” de 16 reais e 50 centavos e a companhia alegre dos amigos, a noite teria sido um completo fiasco."

Deu pra sentir o drama, não é?

Essa é a parte dos clientes. Agoram vamos à outra parte: a dos que servem os clientes.

Há alguns dias, ouvi uma reclamação de garçons no excelente Emprestado. Era terça-feira e parecia véspera de Natal - quando tudo está às traças, todo mundo cansado e querendo ir pra casa.

Levei um amigo lá para provar as delícias e especialidades brasileiras. Péssimo dia, porque a cozinha estava completamente desfalcada. Motivo: o restaurante vinha de duas semanas sem descanso, só recebendo clientes de sites de compras coletivas.

Os garçons se diziam exaustos, sem folgas, pausas etc. Falaram que o restaurante nunca esteve tão cheio, e que a exigência dos clientes era opressora. Os pratos terminavam muito rápido, o fluxo de pessoas era enorme - e o restaurante não aumentou o número de funcionários, nem de comida para o contingente. Pode ser reclamação de funcionário de saco cheio com o chefe, mas pode ser reclamação de gente que dá o sangue pelo trabalho.

Quem se deu mal foi o cliente da semana seguinte (no caso eu e meu amigo), porque só havia dois, DOIS pratos do cardápio disponíveis.

Nessa história de sites de compras coletivas, tem interesse de todos os lados: é cliente querendo pagar menos e querendo receber pelo que lhe foi oferecido, é dono de restaurante querendo aumentar o movimento da clientela, é site querendo ganhar dinheiro em cima da gana pelo dinheiro de ambas as partes.

Eu e Maricota estamos fora desse jogo.