terça-feira, 14 de setembro de 2010

Killa Novo Andino

Diga lá três pratos da cozinha peruana.

Impossível. Só quem manja muito do assunto tem a resposta na ponta da língua. Como eu e a Mari fazemos parte dos analfabetos gastronômicos, tivemos uma grata surpresa no Killa Novo Andino.

O restaurante fica em Perdizes, numa esquina bem simpática na rua Tucuna com a rua Coronel Melo de Oliveira.

Assim que chegamos, um garçom muito educado nos ofereceu o cardápio e um couvert que logo de cara agradou e despertou curiosidade. Ele nos explicou que eram sementes de milho aquecidas - que, ao contrário da pipoca, estouravam pra dentro. A casca, mais dura, impede o milho de estourar pra fora.


O nome do milho, segundo o garçom (nosso ótimo consultor naquela noite), é chulpe, uma variedade para ser tostada. É um petisco bem interessante. Bem crocantes, as sementes têm um gosto que lembra muito o sabor da pipoca, mas é um pouquinho mais concentrado.

Começamos pedindo as bebidas. Eu pedi uma cerveja boliviana, a Paceña. Ela é bem leve, pouco encorpada, desce numa boa. Aprovada!


A Mari pediu um pisco sour, drink preparado com limão, pisco, clara de ovo, xarope de goma e gotas de angostura. Bem saboroso e fraquinho, muito bom! Diz a lenda que o pisco está para o Peru assim como a caipirinha está para o Brasil.


Depois disso, demos uma fuçada no cardápio. Há entradas bem interessantes e mais conhecidas (como diversas variações de ceviche) e algumas com influências japonesas (com fatias de peixe cru) - chamadas de tiraditos. Nós preferimos apostar no polvo crocante. Vieram três fatias do molusco, com cenoura e cebola refogadas e uma pitadinha de pimenta. Pequeno, mas bem gostoso - mais pela composição do prato e pelos temperos do que pelo preparo do polvo, que não parecia estar tão fresquinho.


E só então fomos aos pratos principais. Eu pedio o Oro: filé mignon, marinado em aji panca, servido com guisada de papa seca, cogumelos e bacon.


Vamos ao glossário. Aji panca é um tipo de pimenta vermelha escura típica do Peru. Confesso que não senti o que se pode chamar de picante, nem sequer um gostinho de pimenta. O que me chamou a atenção foi a guisada de papa seca - e aí voltamos ao glosário novamente.

O guisado é uma técnica de cozinhar carnes dentro duma panela tampada, deixando os ingredientes (muitas vezes pré-cozidos ou fritos) misturarem os seus sabores de um modo bem lento à carne.

A papa seca é um tipo de batata que passa por secagem a frio próximo à cordilheira dos Andes, onde a temperatura chega a abaixo de zero e a umidade é muito baixa. Ficou sensacional a combinação com a carne (que estava macia), principalmente porque a papa seca ficou com uma consistência bem viscosa, com um caldinho leve que ganhou o sabor de todo o conjunto. Eu pedi a carne bem passada, mas um terço dela estava ao ponto – tendendo para o mal passado.

A papa seca me pareceu uma raiz com um sabor que oscila entre a mandioca e a batata. É muito boa!

Já Maricota foi de Pescado Tacu Tacu: filé de peixe empanado em panko, servido com tacu tacu peruano de lentilhas e bananas salteadas.


O tacu tacu, se me lembro bem, é uma maneira de indicar um cozidão. No caso do Killa, é o arroz misturado à lentilhas. Essa mistura, disse a Maricota, é incrível porque vem ligeiramente frita. E ainda serve de cama para o peixe, que estava bastante macio e com tempero na medida certa. Ela só não viu muita diferença na farinha panko, que seria um pouco mais crocante do que a comum. As bananas casaram perfeitamente com os outros ingredientes. Uma combinação muito feliz, segundo a nossa anfitriã.

Por fim - e exageradamente -, pedimos um menu degustação de sobremesas peruanas. Olha só que apresentação legal:


São doces simples, sem grandes novidades, à base de leite condensado, doce de leite e algumas frutas (abacaxi e uma outra típica de que não lembramos o nome). Não é nada fora do comum. Nenhum doce é au concours, portanto se você é fã de sobremesas, não espere muita coisa.

No fim, a conta saiu em torno de R$ 70 por pessoa - isso porque quisemos experimentar de tudo um pouco. Não nos arrependemos de nada: a cozinha peruana é muito rica, com temperos e modos de preparo bem diferentes de tudo o que já provamos até hoje.

O Killa surpreendeu pelo capricho no atendimento aos clientes. Os garçons sabem dizer exatamente o que é cada prato e bebida, como é o modo de preparo e as razões de determinados sabores sobressaírem.

Não nos resta outra avaliação para uma nova experiência bem-sucedida, senão a boa e velha nota 10. Fica nossa dica para aqueles que, assim como nós, buscam na diversidade da culinária paulistana uma experiência que fique marcada pra toda a vida!

3 comentários:

  1. Seria esta fruta a LUCUMA? Se sim, excelente!!!
    A farinha Panko é uma farinha japonesa, bem mais grossa que a farinha de rosca, ou farinha de pão. Ela é mais saborosa, menos salgada. Se não deu pra perceber a diferença, provavelmente não usaram uma boa Panko, pq é realmente cara para se comprar, pode ser que o cara tenha feito um "blend" de farinha panko com alguma outra tbm, pra "render mais"....Enfim
    comida peruana é sempre uma ótima, fica a dica de um restaurante nipo-peruano: http://shimo.com.br/

    abs,
    Gabriel Daniel

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  2. Pode ser Lucuma, xará, mas não temos certeza!

    Não sabíamos dessa da farinha Panko, agora vamos prestar mais atenção.

    E valeu pela dica do restaurante, está na nossa lista!!!

    Abraços

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  3. Primeiro, a Paceña é uma cerveja OK. Dito isto, o lugar é fantástico e o objetico de impressionar a minha namorada foi alcançado.

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