quarta-feira, 21 de julho de 2010

Fala, chefe! (Wheat Organics)

No último post, você leu sobre o Wheat Organics, uma padaria artesanal localizada na zona oeste da capital.

Chegou a hora de entender um pouco melhor o que levou o Wheat a se tornar esse local tão especial na Rua Carlos Weber.

No segundo "Fala, chefe!", entrevistamos Ricardo e Valéria, os proprietários do local. Ele é cozinheiro e agrônomo. Ela, farmacêutica e química de produtos naturais. Há algum tempo o casal compartilha o mesmo interesse pelo ecológico e pelo sustentável. "Somos assim no dia a dia, acreditamos em um mundo melhor através de pequenos atos", diz Ricardo.



Nessa vibe tranquila, eles nos mostraram como pensam a gastronomia e como isso se traduz num estilo de vida. Dá só uma olhada:

Assim como nós, do Restaurant Couple, vocês dois também são um casal e tocam um negócio (bem mais sério!) juntos. Qual é o principal desafio disso?
A idéia é resgatar sabores, simplicidade, ter um contato verdadeiro com o público, trabalhar com matérias primas sustentáveis e saudáveis. Partimos do estilo de vida. Procuramos sempre o que é mais puro, ecológico, sustentável, de reduzido impacto à natureza. Somos assim no dia a dia, acreditamos em um mundo melhor através de pequenos atos. Já existia a sinergia.

Quando abriu, o estabelecimento se chamava "Eat" e teve que mudar de nome. A escolha do novo nome ("Wheat" - que significa "trigo", em inglês) parece que caiu como uma luva. Como vocês encararam essa mudança?
Tudo rolou sem sobressaltos. Por uma imposição de um outro registro similar, tivemos que mudar. Ficou muito melhor, alinhamos mais ainda a proposta e nosso público praticamente não sentiu a adaptação.

A alimentação saudável e orgânica ainda é de certa forma um hábito que exige muito do nosso bolso. O que falta para essa cultura sustentável realmente se tornar acessível para a maioria das pessoas?
Taí um mito. Não é mais assim. Podemos comprar 1 kg de açúcar refinado União por R$ 2,34 ou optar por açúcar cristal orgânico de 1 kg por R$ 2,19. O consumidor tem pouca noção que o açúcar orgânico não faz queimada, tem zero agrotóxico ou nenhuma química (principalmente soda cáustica) referente ao processo de refino. Tem itens mais caros, mais baratos e iguais – como é mercado, depende da sazonalidade.

Como transformar isso em cultura?
Consciência e Consumo responsável. Usar o poder de consumo para mudar a ordem das coisas. A consciência e o consumo responsável são os pilares desse mercado que já caminha há mais de 20 anos, mas só em 2009 ganhou força de lei no Brasil. O dinheiro do consumidor está sendo gasto em hospitais, indústria farmacêutica e ainda produz lixo e resíduos tóxicos pelo planeta. Por que não inverter a ordem dessa lógica burra iniciando pela alimentação? Produção e consumo de carne são os atuais vilões do planeta... mas disso falamos mais tarde.

Por que o Wheat não abre aos domingos? Não seria um dia de mais movimento? O que está por trás dessa decisão?
Temos filhos, andamos de bike, skate, fazemos trekking, praticamos yoga, ficamos enrolados nas cobertas no frio.... essas coisas. Trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana é coisa de fast food... não esqueça que somos slow... hahahaha.

Escolheram a Vila Leopoldina por quê? Sinônimo de qualidade de vida?
Moramos próximo ao Wheat, vamos à loja a pé ou de bicicleta, tentamos não precisar cruzar a cidade... sim, qualidade de vida! Tocar seu negócio é estar envolvido, acreditar 100%. Vida boa é de quem tem CLT, férias, 13°... hahahaha. Empresário é um louco... e apaixonado, comprometido demais com o que faz. Mania de melhorar o mundo...


Pronto, mais uma descoberta sensacional para o nosso blog. Fala sério se não é incrível conhecer lugares e pessoas assim?

E taí um conceito diferente para olharmos daqui pra frente: o de gastronomia aliada à qualidade de vida. Obrigado ao Ricardo e à Valéria - e vida longa ao Wheat!


*Imagens: Reprodução

2 comentários:

  1. Porra, do caralho. Mais gente assim no mundo e agente vira o jogo.
    Ótimo post, casal!

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  2. É!!!!! Assim que é!
    "Usar o poder de consumo para mudar a ordem das coisas"

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