quinta-feira, 29 de julho de 2010

Templo da Picanha - o retorno

Vou começar esse post confessando que é muito gratificante compartilhar experiências. Depois de mais de um ano de blog é que a gente começa a perceber o que realmente mexe ou não com as pessoas. Perceber, sim. Entender, talvez, seja um passo maior que a nossa perna.

O post que fizemos sobre o Templo da Picanha foi um dos que mais nos alegrou. Diversas pessoas se manifestaram - seja para falar de lugares zicados, da qualidade do restaurante em questão ou discutir um pouco sobre a essência do blog. Com isso, o Restaurant Couple cumpriu plenamente um de seus deveres: gerar o debate.

Como temos o costume de prometer e cumprir, lá fomos nós dar mais uma chance ao Templo da Picanha. Desta vez, acompanhados pelo casal Braguinha e Carol.

O garçom que nos atendeu foi muito atencioso e educado desde o início. Não se importou em nos explicar o cardápio, trouxe cerveja gelada e deixou os copos cheios sem titubear. Esteve sempre por perto e alerta, na medida certa. Não foi o mesmo que nos atendeu da primeira vez.

Logo de cara pedimos duas porções de picanha - que vinham acompanhadas de pão francês, vinagrete e farofa. Olha só o acompanhamento, que beleza:



A Mari foi bem exigente no pedido: queria a carne ao ponto, sem necessariamente vir sangrando - apenas avermelhada no centro. E as peças vieram exatamente assim, sem tirar nem por.

Uma das coisas de que sentimos falta foi a chapa, para aquecer a carne. Tradicionalmente, diversos restaurantes e bares daqui da capital oferecem essa peça para os clientes. É bem legal, você pode tanto preparar a carne à sua maneira quanto aquecê-la, sem deixá-la esfriar. O lado bom dessa ausência é que ninguém saiu cheirando churrasco do Templo. O lado ruim é que a carne vem num prato comum e acabou esfriando mais rápido.

Para o meu paladar, a picanha veio um pouco sem sal. Mas todos da mesa gostaram. O melhor de tudo: uma peça fatiada custa R$ 12 e serve duas pessoas. Foi tão bacana que abriu o apetite.

Aí partimos para a segunda rodada. Mais uma porção de picanha e uma de linguiça Fiorentina. Dessa vez, sem a opção no cardápio, demos uma choradinha por uma carne acebolada. Fomos prontamente atendidos e a picanha veio coberta por uma cebola que, de tão suculenta, acabou realçando o tempero da carne.



Já a promessa da linguiça era de um embutido com queijo - pelo menos era o que nos tinha sido explicado. Veio apenas uma calabresa bem temperada e bem saborosa.




Depois de um bom papo, de um bom atendimento, de boas escolhas do cardápio e uma cervejinha bem gelada, pedimos a conta. Pagamos R$ 22 cada um. Relação custo-benefício como há tempos não víamos.

O restaurante se redimiu completamente, passou uma imagem totalmente adversa daquela que tivemos na primeira vez. Alô Marcelo: o histórico da esquina zicada pode muito bem ser mudado se as coisas continuarem assim. Segue o jogo!

Dessa vez, nossa nota será 9. Só não será 10 porque realmente a chapa faz falta num local que se denomina "O Templo" da senhora das carnes. Pelo menos como opção, achamos que poderia constar!

domingo, 25 de julho de 2010

Emprestado

Quem segue a gente no twitter sabe do concurso que está rolando no Emprestado para escolher um novo prato para o cardápio. Pra quem não conhece, esse é o princípio deles: fazer parcerias com restaurantes deliciosos de outras partes do país e trazer pra São Paulo o que eles têm de melhor. Nós já estivemos lá uma vez, ano passado, fazendo uma super degustação do cardápio. Você se lembra?

Pois bem, fãs do restaurante e curiosos que somos, estivemos lá na semana passada para dar nossos pitacos. A receita será importada do Beijupirá, restaurante em Porto de Galinhas (PE). Primeiro candidato é o Beijumanga, um filé de peixe grelhado com gergelim e suco de fruta, servido com arroz de coco, farofa de gengibre e banana caramelada. O concorrente leva o nome de Carne de Sol Marinada, um filé marinado no abacaxi, com farofa de frutas, salada de feijão verde e arroz branco. O que é bacana? Se você escolhe um, ganha uma degustação do outro para poder votar.

Eu fui de Beijumanga, um prato bastante generoso. Adorei a textura do peixe, desmanchando no garfo e na boca. Envolto no gergelim ficou crocante por fora e extremamente macio por dentro. Mas no geral, achei um prato bastante doce. Eu trocaria o arroz de coco por um arroz normal, mas isso é o meu paladar. O resto estava perfeito. Olha só como a apresentação é bonita:


O concorrente também é gostoso, mas menos sofisticado. Não senti o sabor do abacaxi na carne, mas achei macia. A salada de feijão é interessante, a farofa é gostosa e o arroz é comum. Mesmo numa porção menorzinha, deu pra formar opinião...


Gabi preferiu experimentar um emprestado já consagrado no cardápio. Escolheu o Risoto de Folia, receita do Empório do Cerrado, um restaurante em Pirenópolis (GO). Esse prato é uma verdadeira folia. Ele brinca com sabores, todos bem fortes. O risoto é enformado e recheado com queijo coalho, bastante diferente e gostoso. Você vai entender melhor olhando a foto, é esse bolinho redondo sobre tudo:


Sob o risoto há um filé de frango grelhado em calda de laranja, lascas de pequi e farofa de baru, uma castanha do cerrado. Esse creme que faz uma cama para o prato é de milho verde com um toque de gorgonzola. Nosso anfitrião devorou, mas ponderou que deveria haver algum sabor mais neutro no conjunto.

Eu comecei pelo fim, então vou terminar pelo começo e pela vedete da noite: a entrada que pedimos. Nunca tinhamos ouvido falar em costelinha de peixe e ficamos atiçados pela descrição no cardápio. A Zé Mojica é uma porção de costelas de tambaqui com molho de maracujá e mel. Desmanchando na boca, a carne do peixe é leve, mas um pouco gordurosa. Bastante saborosa, tem o sabor realçado pelo molho que as acompanha. Foi uma ótima descoberta!


Dei meu voto para o Beijumanga, torcendo para que ele entre para o cardápio do Emprestado. Por sorte, a costela de tambaqui já está lá, firme e forte. Pelo jantar farto e cheio de sabores diferentes desembolsamos R$ 135, com bebidas e dez por cento. O serviço estava rápido e eficiente, e não poderia ser diferente, já que só havia duas mesas ocupadas. Desde que estivemos lá pela primeira vez recomendamos o Emprestado pros amigos, e continuará sendo assim. Nota 10.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Fala, chefe! (Wheat Organics)

No último post, você leu sobre o Wheat Organics, uma padaria artesanal localizada na zona oeste da capital.

Chegou a hora de entender um pouco melhor o que levou o Wheat a se tornar esse local tão especial na Rua Carlos Weber.

No segundo "Fala, chefe!", entrevistamos Ricardo e Valéria, os proprietários do local. Ele é cozinheiro e agrônomo. Ela, farmacêutica e química de produtos naturais. Há algum tempo o casal compartilha o mesmo interesse pelo ecológico e pelo sustentável. "Somos assim no dia a dia, acreditamos em um mundo melhor através de pequenos atos", diz Ricardo.



Nessa vibe tranquila, eles nos mostraram como pensam a gastronomia e como isso se traduz num estilo de vida. Dá só uma olhada:

Assim como nós, do Restaurant Couple, vocês dois também são um casal e tocam um negócio (bem mais sério!) juntos. Qual é o principal desafio disso?
A idéia é resgatar sabores, simplicidade, ter um contato verdadeiro com o público, trabalhar com matérias primas sustentáveis e saudáveis. Partimos do estilo de vida. Procuramos sempre o que é mais puro, ecológico, sustentável, de reduzido impacto à natureza. Somos assim no dia a dia, acreditamos em um mundo melhor através de pequenos atos. Já existia a sinergia.

Quando abriu, o estabelecimento se chamava "Eat" e teve que mudar de nome. A escolha do novo nome ("Wheat" - que significa "trigo", em inglês) parece que caiu como uma luva. Como vocês encararam essa mudança?
Tudo rolou sem sobressaltos. Por uma imposição de um outro registro similar, tivemos que mudar. Ficou muito melhor, alinhamos mais ainda a proposta e nosso público praticamente não sentiu a adaptação.

A alimentação saudável e orgânica ainda é de certa forma um hábito que exige muito do nosso bolso. O que falta para essa cultura sustentável realmente se tornar acessível para a maioria das pessoas?
Taí um mito. Não é mais assim. Podemos comprar 1 kg de açúcar refinado União por R$ 2,34 ou optar por açúcar cristal orgânico de 1 kg por R$ 2,19. O consumidor tem pouca noção que o açúcar orgânico não faz queimada, tem zero agrotóxico ou nenhuma química (principalmente soda cáustica) referente ao processo de refino. Tem itens mais caros, mais baratos e iguais – como é mercado, depende da sazonalidade.

Como transformar isso em cultura?
Consciência e Consumo responsável. Usar o poder de consumo para mudar a ordem das coisas. A consciência e o consumo responsável são os pilares desse mercado que já caminha há mais de 20 anos, mas só em 2009 ganhou força de lei no Brasil. O dinheiro do consumidor está sendo gasto em hospitais, indústria farmacêutica e ainda produz lixo e resíduos tóxicos pelo planeta. Por que não inverter a ordem dessa lógica burra iniciando pela alimentação? Produção e consumo de carne são os atuais vilões do planeta... mas disso falamos mais tarde.

Por que o Wheat não abre aos domingos? Não seria um dia de mais movimento? O que está por trás dessa decisão?
Temos filhos, andamos de bike, skate, fazemos trekking, praticamos yoga, ficamos enrolados nas cobertas no frio.... essas coisas. Trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana é coisa de fast food... não esqueça que somos slow... hahahaha.

Escolheram a Vila Leopoldina por quê? Sinônimo de qualidade de vida?
Moramos próximo ao Wheat, vamos à loja a pé ou de bicicleta, tentamos não precisar cruzar a cidade... sim, qualidade de vida! Tocar seu negócio é estar envolvido, acreditar 100%. Vida boa é de quem tem CLT, férias, 13°... hahahaha. Empresário é um louco... e apaixonado, comprometido demais com o que faz. Mania de melhorar o mundo...


Pronto, mais uma descoberta sensacional para o nosso blog. Fala sério se não é incrível conhecer lugares e pessoas assim?

E taí um conceito diferente para olharmos daqui pra frente: o de gastronomia aliada à qualidade de vida. Obrigado ao Ricardo e à Valéria - e vida longa ao Wheat!


*Imagens: Reprodução

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Wheat Organics

Não somos muito de comida natureba. Vocês se lembram de uma de nossas primeiras experiências?

Recentemente fomos a um local na Rua Carlos Weber que quebrou vários mitos. É o Wheat Organics - um tipo de padaria artesanal, que fica numa esquina bem tranquila.

O ambiente (onde cabem no máximo 15 pessoas) é relativamente pequeno, mas aconchegante. É bem clean, causa uma sensação de hospitalidade sem forçar a barra.

No cardápio, as palavras predominantes são "orgânico" e "artesanal". Tudo manuseado pela cozinha da casa: pães, ciabatas, sanduiches, saladas, sucos e smoothies. Já não vem um cheiro de campo?

Há alguns dias fomos tomar um cafezinho lá. Eu pedi um suco amarelo, onde vinha maracujá, manga, abacaxi e maçã. Olha só:


Sem exagerar: um dos sucos mais saborosos que tomei na vida. As frutas são muito bem dosadas, e quase não deu pra sentir uma se sobrepondo a outra. Muito bom e refrescante!

Como você vê na foto, a Mari pediu um cappuccino. Bem legal a apresentação também. Segundo ela, estava gostoso, bem dosado o café e o chocolate.

E além disso, pedimos um pão orgânico na chapa com manteiga - estava bem saboroso:


Tudo fresquinho, preparado rapidamente. Dá, incluvise, pra ouvir o pessoal da cozinha preparando tudo! Pelo sabor, percebe-se que as opções foram super bem pensadas antes da concepção do cardápio, com os ingredientes naturais e receitas caseiras.

Pra terminar, um rolinho de canela, que é um pão doce, como um caracol, com canela. Bem gostoso, também:



A conta deu algo em torno de R$ 25, pagos com VR. A nota pro Wheat é 10. Surpreende pelo acolhimento, pelo ambiente clean, pelo cheirinho de comida de casa e pela proposta "natureba" tão bem executada. É o bom gosto aliado à competência, que vimos em poucos lugares da cidade até agora.

Se você curtiu e pretende visitar o local, atenção: lá fecha aos domingos.

Pois bem. Gostamos tanto do Wheat que resolvemos mandar algumas perguntas para Ricardo e Valéria, o casal que administra o local. É a nossa segunda entrevista para o "Fala, chefe!". Novidades para o próximo post!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Levaria ou não levaria - Ministro 1153

Que me perdoem os leitores desse blog, mas esse é um post escrito por uma mulher, sobre um encontro de mulheres. Mas se você chegar até o final desse relato, verá que o bar em questão pode servir prum encontro de homens, para um encontro a dois. Então, não me abandone e continue a ler.

O Ministro 1153, bar recém-aberto no Jardins, recebe um público bem versátil. E isso já é um ótimo cartão de visita. E por mais que seja num lugar badalado, não intimida. Dá pra chegar sossegado, sem pompa, escolher a sua mesa e relaxar.

Nós chegamos cedo, numa quarta-feira, e sentamos numa mesa perto do bar. Perto também da cozinha, cercada por vidros e completamente visível aos frequentadores. Achamos bem charmoso e aconchegante.

Logo recebemos uns potinhos de pipoca, cortesia da casa. Ok, talvez os homens não liguem tanto pra isso, mas a mulherada se sentiu muito bem recebida. Enquanto escolhiamos as bebidas, uma pipoca e outra viajavam nas nossas bocas. Olha só que legal:


Em seguida, e embaladas por algumas indicações, pedimos uma porção de bolinhos de arroz. Pequenas bolinhas, em pouca quantidade, mas bastante saborosas. Chegaram à mesa super quentes, com a casca mais crocante e por dentro parecia ter, além de arroz, gorgonzola. O mais interessante foi virem acompanhadas de um potinho com mel. Achei bem interessante o contraste de sabores!

Em seguida, pedimos uma linguiça artesanal, servida com farofa e pão. Posso estar enganada, mas senti sabor de orégano. Achei um pouco seca, mas gostei do tempero e não descarto totalmente na próxima ida. A porção é maior, na hora da foto já tinhamos detonado metade...

Eu, sempre firme na minha missão de experimentar o máximo de comida possível, ainda pedi um sanduíche. Simples: pão, carne, queijo cheddar, alface e tomate. Eu e Paulinha dividimos, e por consenso, decidimos excluir o picles. É uma das poucas opções de hamburguer, mas achamos bem gostoso. Pão fresco e quente, carne macia, queijo cheddar saboroso e salada fresca. As batatas também estavam ótima, são daquelas com casca, e causaram inveja nas magrelas que não quiseram entrar no rateio do lanche! Esse é MEIO lanche...


Não vou entrar em detalhes nas bebidas porque não manjo. Mas achei o cardápio de bebidas mais extenso que o de comidas, que é bem enxuto. Tem drinks e coquetéis mais moderninhos, destilados, caipirinhas diferentes (como uma de café que dizem ser incrível) e uma vasta carta de cervejas.

Cada uma de nós deixou R$ 52 pela noite. Foi uma delícia o papo, o lugar e o que pedimos. O atendimento também é bastante atencioso e discreto. A experiência dessa noite rendeu uma nota dez ao Ministro 1153. E levaria o Gabi com certeza para lá!