segunda-feira, 10 de maio de 2010

Casa dos Cariris

O post de aniversário desse blog, que tratava sobre a Hamburgueria Nacional, revelou muitos leitores desconhecidos. Gente que zapeia por aqui de vez em quando, colhe uma dica ou outra, e não hesita em deixar sugestões. Foi assim com o Caio, de quem não sabemos o sobrenome e muito menos o rosto, mas que nos iniciou numa experiência incrível e o motivo deste post.


Ele queria saber se conheciamos algum restaurante mexicano típico em São Paulo, nada de Tex Mex. Até este dia, eu e Gabi só haviamos comido no Si Señor, um mexicano famosinho, mas que não deixa lembranças. E ao ler o que o Caio escreveu, me veio à memória a imagem de um maravilhoso pudim de pão (uma das minhas sobremesas preferidas) que vi num dos blogs de gastronomia que frequento. Resgatei o blog e a foto, li com atenção o que falava sobre o lugar e assim começou a nossa história de amor com a mexicana Lourdes Hernández e a sua deliciosa Casa dos Cariris.

Pra começar, a Casa dos Cariris não é um restaurante, mas a casa onde Lourdes e o marido, Felipe, vivem. E isso torna tudo ainda mais instigante. Descobrimos o email da Lourdes, escrevi, ela me retornou carinhosamente com o aviso de que nos incluiria no mailing. Poucos dias depois, passamos a receber os convites para almoço ou jantar, na segunda, na quarta, aos sábados - quando houver inspiração e hora para celebrar. Digo celebrar porque é essa a sensação que a Casa dos Cariris te reserva, a de que você está ali com uma porção de gente que você conhece (embora quase ninguém se conheça), na sala de jantar da casa de amigos queridos. Lourdes e Felipe são os anfitriões perfeitos.

Quando eu e Gabi conseguimos nos organizar pra ir era uma quarta-feira e o menu, geralmente fechado, seria a la carte. Topamos, assim como também aceitamos dividir a mesa com um casal desconhecido. Chegamos juntos por coincidência, nós e o outro casal, à casinha em Pinheiros. No carro, pouco antes de descer, confesso que a gente achou que poderia ser uma loucura. Como é que a gente ia entrar na casa de alguém com quem nunca tivemos contato visual, e ainda por cima dividir a mesa com outras duas pessoas? E se fosse uma roubada? Não há medo que a recepção de Felipe não possa afastar...

Sei que estou me alongando na história e demorando para chegar aos pratos. Acontece que comer é uma experiência que envolve vários fatores. E nesse caso, em que o Caio nos pediu a dica de um mexicano legítimo, não tenho como fugir dos detalhes. Um jantar na Casa dos Cariris é uma viagem ao México. Primeiro, porque os donos são mexicanos. Segundo, porque a casa inteira é decorada com objetos típicos! No teto, havia várias bandeirinhas típicas da comemoração da vitória da Batalla de Puebla (o dia 5 de maio), o motivo de estarmos ali celebrando. E terceiro, bom, vamos ao rango...


Nos sentamos com o simpático casal que dividiria a mesa conosco. Pra que a gente não perdesse nenhum detalhe desse dia mexicano, nossos companheiros eram... mexicanos! Fúlvio, nascido em Puebla, e a esposa, Ana, uma brasileira completamente imersa na cultura. Felipe e Lourdes nos explicaram o cardápio tim tim por tim tim. É uma delícia ouvi-los explicando a história e o preparo das comidas e bebidas. Depois, off record, Ana e Fúlvio nos contaram o que era mais forte e o que poderia ser pesado pro nosso paladar. Uma verdadeira consultoria!

Gabi quis experimentar o cebiche verde e amou. Eu, por gentileza da Ana, pude experimentar o delicioso mousse de tomate verde (um tomate que não existe no Brasil, só no México) com abacate. É uma pasta para comer com o que eles chamam de topopos, uma massa crocante, fina e triangular. Confesso que teria devorado o pote inteiro, mas não quis assustar os nossos novos amigos!

Como principal, eu pedi La Entomatada, uma tortilla recheada com batata e cebola, coberta por um molho de tomate, creme azedo e queijo. Acho que foi uma ótima pedida para minha iniciação na culinária mexicana. Alguns sabores novos pra mim, mas nada completamente alheio. Tudo muito saboroso. Gabi, mesmo com a dica da Ana, foi de Mole de Fiesta. Ela nos alertou de que era um prato forte, mas nosso herói quis encarar. E adorou o que experimentou. Um frango (pode ser carne de porco ou de vaca) num molho escuro, me lembro de levar chocolate e pimenta, acompanhado de arroz. Fúlvio e Ana, que entende tudo de cozinha mexicana, eram o nosso parâmetro. E ambos adoraram o que comeram também!

A sobremesa, nem pudim, nem bolo. Fomos laçados por um bolo-pudim de chocolate e amendoim levemente bêbado (ou seja, algumas gotinhas de álcool) e sobre ele um creme azedo que não descobri o que era. Fato é que é uma sobremesa leve e marcante.

Eu fiquei encantada mesmo foi com um detalhe simples da bebida: a boca do copo vem molhada no sal e na pimenta. Eu tomei a Michelada, que soube ser uma bebida muito típica lá. Cerveja, gelo e limão (brasileiros, é uma delícia!) e pitadas de pimenta. Gabi pediu uma Mezcalpirinha, porque soubemos pela Lourdes que não seria mais servida. Essa bebida é feita com Mezcal e mais algum ingrediente que demora três meses pra curar e Lourdes estava envergonhada de pedir mais para, adivinhe, Alex Atala. Tivemos o prazer de tomar a derradeira! É leve, muito leve.

A experiência na Casa dos Cariris não vai levar nota porque vai muito além do dez. Estréia o hall dos Hors Concours. Sobre preços, fique tranquilo. Por tudo o que se ganha, se paga um preço muito justo. Neste dia, o prato mais caro custava R$ 36. As bebidas, importadas do México, variavam de R$ 6,50 a R$ 24. Um aviso importante que recebemos de Felipe: se apaixone pelos pratos, mas não espere comê-los tão cedo novamente. Lourdes quase nunca repete as receitas...

Depois de receber o carinho de Lourdes, Felipe, Fúlvio e Ana, decidimos onde vamos passar as férias do ano que vem. O México nos aguarda!


Obs: quem quiser o caminho para esse cantinho secreto, deixe o e-mail nos comentários.

8 comentários:

  1. Não poderia ter resumido a experiência de maneira melhor. Assino embaixo: foi simplesmente fantástico. Recomendo de cabo a rabo!

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  2. Parece ser sensacional!!!!

    Braguinha

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  3. Nossa, que honra hahah! Fico feliz em ter contribuído para a descoberta desse restaurante sensacional.

    Aliás, acho que vocês encontraram o restaurante mais mexicano de São Paulo. Preciso conseguir uma vaga nele em algum sábado!

    Mas e aí, conseguiram arrumar um tempinho pra ir no Chico?

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  4. Salve, Caio! Que bom que reapareceu. Realmente seu comentário nos motivou a viver a experiência gastronômica mais marcante da existência desse blog. Valeu!!!

    Ainda não conseguimos ir ao Chico, mas assim que formos vamos postar algo por aqui!

    Alô Babi, alô Braguinha: fica a sugestão, principalmente para os casados como vocês!

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  5. Ah, outra coisa: quem realmente quiser visitar o local, nos mande um e-mail que a gente passa o contato - gabsmari@gmail.com

    Abraço!

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  6. Mari,,

    Eu quero!!! (É gabi, estagiária)

    gabi_rangelg@yahoo.com.br

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  7. Eu quero!!!

    Gabriel: ggd3n@hotmail.com

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