domingo, 30 de maio de 2010

Ydaygorô

Por indicação do Rafa e da Beca, dois amigos pés de valsa, fomos conhecer um restaurante japonês na Vila Madalena chamado Ydaygorô. Esquema de rodízio, peixe fresco, serviço e preço honesto, eles nos disseram. Com tantos pontos positivos, lá fomos nós atrás de desvender mais alguns mares em SP.

O lugar é bem iluminado, fachada simpática, e bem espaçoso por dentro. Escolhemos um sofá na parte interna, porque o frio tá chegando cada vez mais brabo durante a noite. Às 21h, quando chegamos, ainda não tinha muito movimento, três ou quatro mesas ocupadas.

Sempre no mesmo esquema, fomos de rodízio, que aos fins de semana custa R$ 31,90. Incluídos:

- guioza e rolinho primavera, que não quisemos;

- shimeji, em porções individuais, sobre a chapa. Gostoso!;

- sashimi variado, pedimos salmão, que estava fresco e bem cortado;

- sushis, bem preparados, variados (hot roll, acelgamaki etc). Vieram muitos doces, de banana, goibada. O mais gostoso era um de maçã, meio azedinho. Gabi reclamou de servirem um sushi de pepino sem peixe, comentou que há muito não vê esse sushi - muito sem graça - no rodízio;

- temaki: muita alga, pouco recheio. Mas o pouco que tinha estava bom (pedimos skin);

- teppanyaki, o salmão que pedimos veio bem seco. Só com muito molho shoyo pra engolir...

Nós gostamos do lugar e não temos o que reclamar sobre o atendimento. O rodízio não teve 100% de aproveitamento e não deixa lembranças tão marcantes. É honesto? Sim, e quebra o galho em vários momentos, mas não bate o Todai ou o Kawa. Pelo jantar, desembolsamos R$ 78, pagos com VR. Nota 7.

domingo, 23 de maio de 2010

210 Diner

Comida americana nunca me pareceu apetitosa. Sempre pensei em muita gordura, muitos ingradientes artificiais, nada de originalidade.

Mas neste último fim de semana, eu e Maricota nos surpreendemos com pratos bem elaborados e preparados. Conhecemos o 210 Diner, do chef Benny Novak - proprietário do Ici (um respeitado francês) e do Tappo (italiano).

O que chamou a atenção de cara foi a variedade de molhos colocados à disposição do cliente. Ketchup, mostarda, mostarda dijon, uns três tipos de pimenta e molho inglês. Pra todos os gostos!


De entrada, pedimos bacon grelhado. São duas fatias que, para meu espanto, não vieram esturricadas nem tão salgadas quanto baconzitos. Vieram fatias de uma carne defumada, saborosa e muito bem temperada com xarope de maple (toque levemente adocicado) e vinagrete de salsa (bem cítrico). Delicioso.


De prato principal, pulamos a parte de sandubas e hambúrgueres. Resolvemos dividir uma porção de baby back ribs. Vieram três postas de costelinhas que simplesmente desmanchavam no garfo e na boca. Impressionante.



Para acompanhar, purê de batata:



E tomates assados:


Olha só como ficou a combinação no prato. Tudo harmonizou perfeitamente:



Terminamos de comer e ficamos muito felizes pela grata surpresa. A costelinha foi de longe a melhor que comi na vida. E não paramos por aí. Ainda apostamos numa sobremesa: a devil's food cake. São dois pedaços de bolo de chocolate (ou um super pedaço) embebidos em calda amarga de chocolate, acompanhados de uma bola de sorvete de creme. Gigantesco - bem gordo e bem saboroso:


No fim, com os 10% de um serviço honesto, desembolsamos R$ 110. Preço justíssimo pelo tanto de comida que pedimos e pelo modo de preparo, tão caprichado, bem pensado e rapidamente executado.

Darei nota 9 ao 210 Diner. Só não dou 10 porque acho que o cardápio poderia ser um pouco mais detalhado e explicativo. Se não tivéssemos lido a respeito do menu antes de ir ao local, talvez ficaríamos um pouco perdidos.

Mas certamente voltaremos lá, porque ainda tem muitos pratos e hambúrgueres de dar água na boca que precisamos experimentar.

* Imagens: Restaurant Couple

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Bar Brahma

Nota rápida sobre a Virada Cultural.

Eu e Maricota finalmente saímos da caverna e conseguimos nos mover até o centro pra conferir alguma atração.

Como ficamos no palco da Av. São João, no intervalo entre um show e outro resolvemos dar uma passada no Bar Brahma.


Sim, estava cheio - principalmente do lado de fora, de onde era muito agradável ver o movimento do evento logo ao lado.


Chegamos e fomos nos sentar à única mesa livre. O garçom nos alertou que havia uma pessoa ocupando o lugar, e que ela deveria ter ido ao toalete. Então esperamos um pouco, pra ver se realmente tinha alguém ali.

Nesse meio tempo, o garçom sumiu. Uma outra garçonete veio, limpou a mesa e chamou outras duas moças. "Oras", indaguei, "mas não estava ocupado?".

A garçonete me vira e fala: "agora está." E uma das moças já se sentou.

Quando você vê que a discussão está caminhando para a barbárie, então é hora de você sair andando.

Foi o que fizemos, e nos sentamos na parte de dentro. Detalhe: numa mesinha debaixo do ar condicionado, que despejava um jato de gelo em nossas cabeças.

Enfim, pedimos chopes e pasteizinhos para petiscar. Os pastéis vieram saborosos, mas mergulhados em óleo. Juro: uma hora eu tive que segurar o pastel e deixá-lo pingando.

Pela desorganização dos garçons ao acolher clientes, pela má disposição das mesas e dos aparelhos de ar condicionado e pelo pastel ardendo em óleo, a nota para um dos bares mais tradicionais da cidade é zero.

Não há desculpa. Tudo bem que o movimento deve ter se multiplicado com a Virada, mas havia ainda um setor do bar que estava fechado - o que comprova que ele não operava com sua capacidade máxima.

Uma experiência na esquina mais famosa da capital precisa ser no mínimo acolhedora pra começar a valer ponto!


* Imagens: reprodução

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Casa dos Cariris

O post de aniversário desse blog, que tratava sobre a Hamburgueria Nacional, revelou muitos leitores desconhecidos. Gente que zapeia por aqui de vez em quando, colhe uma dica ou outra, e não hesita em deixar sugestões. Foi assim com o Caio, de quem não sabemos o sobrenome e muito menos o rosto, mas que nos iniciou numa experiência incrível e o motivo deste post.


Ele queria saber se conheciamos algum restaurante mexicano típico em São Paulo, nada de Tex Mex. Até este dia, eu e Gabi só haviamos comido no Si Señor, um mexicano famosinho, mas que não deixa lembranças. E ao ler o que o Caio escreveu, me veio à memória a imagem de um maravilhoso pudim de pão (uma das minhas sobremesas preferidas) que vi num dos blogs de gastronomia que frequento. Resgatei o blog e a foto, li com atenção o que falava sobre o lugar e assim começou a nossa história de amor com a mexicana Lourdes Hernández e a sua deliciosa Casa dos Cariris.

Pra começar, a Casa dos Cariris não é um restaurante, mas a casa onde Lourdes e o marido, Felipe, vivem. E isso torna tudo ainda mais instigante. Descobrimos o email da Lourdes, escrevi, ela me retornou carinhosamente com o aviso de que nos incluiria no mailing. Poucos dias depois, passamos a receber os convites para almoço ou jantar, na segunda, na quarta, aos sábados - quando houver inspiração e hora para celebrar. Digo celebrar porque é essa a sensação que a Casa dos Cariris te reserva, a de que você está ali com uma porção de gente que você conhece (embora quase ninguém se conheça), na sala de jantar da casa de amigos queridos. Lourdes e Felipe são os anfitriões perfeitos.

Quando eu e Gabi conseguimos nos organizar pra ir era uma quarta-feira e o menu, geralmente fechado, seria a la carte. Topamos, assim como também aceitamos dividir a mesa com um casal desconhecido. Chegamos juntos por coincidência, nós e o outro casal, à casinha em Pinheiros. No carro, pouco antes de descer, confesso que a gente achou que poderia ser uma loucura. Como é que a gente ia entrar na casa de alguém com quem nunca tivemos contato visual, e ainda por cima dividir a mesa com outras duas pessoas? E se fosse uma roubada? Não há medo que a recepção de Felipe não possa afastar...

Sei que estou me alongando na história e demorando para chegar aos pratos. Acontece que comer é uma experiência que envolve vários fatores. E nesse caso, em que o Caio nos pediu a dica de um mexicano legítimo, não tenho como fugir dos detalhes. Um jantar na Casa dos Cariris é uma viagem ao México. Primeiro, porque os donos são mexicanos. Segundo, porque a casa inteira é decorada com objetos típicos! No teto, havia várias bandeirinhas típicas da comemoração da vitória da Batalla de Puebla (o dia 5 de maio), o motivo de estarmos ali celebrando. E terceiro, bom, vamos ao rango...


Nos sentamos com o simpático casal que dividiria a mesa conosco. Pra que a gente não perdesse nenhum detalhe desse dia mexicano, nossos companheiros eram... mexicanos! Fúlvio, nascido em Puebla, e a esposa, Ana, uma brasileira completamente imersa na cultura. Felipe e Lourdes nos explicaram o cardápio tim tim por tim tim. É uma delícia ouvi-los explicando a história e o preparo das comidas e bebidas. Depois, off record, Ana e Fúlvio nos contaram o que era mais forte e o que poderia ser pesado pro nosso paladar. Uma verdadeira consultoria!

Gabi quis experimentar o cebiche verde e amou. Eu, por gentileza da Ana, pude experimentar o delicioso mousse de tomate verde (um tomate que não existe no Brasil, só no México) com abacate. É uma pasta para comer com o que eles chamam de topopos, uma massa crocante, fina e triangular. Confesso que teria devorado o pote inteiro, mas não quis assustar os nossos novos amigos!

Como principal, eu pedi La Entomatada, uma tortilla recheada com batata e cebola, coberta por um molho de tomate, creme azedo e queijo. Acho que foi uma ótima pedida para minha iniciação na culinária mexicana. Alguns sabores novos pra mim, mas nada completamente alheio. Tudo muito saboroso. Gabi, mesmo com a dica da Ana, foi de Mole de Fiesta. Ela nos alertou de que era um prato forte, mas nosso herói quis encarar. E adorou o que experimentou. Um frango (pode ser carne de porco ou de vaca) num molho escuro, me lembro de levar chocolate e pimenta, acompanhado de arroz. Fúlvio e Ana, que entende tudo de cozinha mexicana, eram o nosso parâmetro. E ambos adoraram o que comeram também!

A sobremesa, nem pudim, nem bolo. Fomos laçados por um bolo-pudim de chocolate e amendoim levemente bêbado (ou seja, algumas gotinhas de álcool) e sobre ele um creme azedo que não descobri o que era. Fato é que é uma sobremesa leve e marcante.

Eu fiquei encantada mesmo foi com um detalhe simples da bebida: a boca do copo vem molhada no sal e na pimenta. Eu tomei a Michelada, que soube ser uma bebida muito típica lá. Cerveja, gelo e limão (brasileiros, é uma delícia!) e pitadas de pimenta. Gabi pediu uma Mezcalpirinha, porque soubemos pela Lourdes que não seria mais servida. Essa bebida é feita com Mezcal e mais algum ingrediente que demora três meses pra curar e Lourdes estava envergonhada de pedir mais para, adivinhe, Alex Atala. Tivemos o prazer de tomar a derradeira! É leve, muito leve.

A experiência na Casa dos Cariris não vai levar nota porque vai muito além do dez. Estréia o hall dos Hors Concours. Sobre preços, fique tranquilo. Por tudo o que se ganha, se paga um preço muito justo. Neste dia, o prato mais caro custava R$ 36. As bebidas, importadas do México, variavam de R$ 6,50 a R$ 24. Um aviso importante que recebemos de Felipe: se apaixone pelos pratos, mas não espere comê-los tão cedo novamente. Lourdes quase nunca repete as receitas...

Depois de receber o carinho de Lourdes, Felipe, Fúlvio e Ana, decidimos onde vamos passar as férias do ano que vem. O México nos aguarda!


Obs: quem quiser o caminho para esse cantinho secreto, deixe o e-mail nos comentários.