terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Balanço de fim de ano

Pois é, minha gente: 2010 foi pro saco e cá estamos nós encerrando as transmissões, antes que o dia 31 chegue e seja tarde demais.

Neste ano foram mais de 30 restaurantes visitados e postados. É uma marca e tanto! O ritmo frenético de 2009 não foi mantido, mas por uma boa causa.

Podemos dizer que em 2010 nos impusemos alguns limites gastronômicos. Resolvemos abolir vários fast-foods de nossas vidas. Além disso, eliminamos posts sobre descobertas não tão agradáveis, porque consideramos que não contribuiríamos em nada para a vida de nossos leitores.

Descoberta boa leva a uma indicação. Descoberta ruim, a discussões tolas.

Foi um ano de algumas tretas, de várias discordâncias e de muitos comentários. Que fique registrado o nosso muito obrigado aos ilustres visitantes que batem cartão por aqui!

Para terminar, ressaltamos os três restaurantes que mais nos impactaram em 2010:

- Arturito: atendimento de primeira, cardápio surpreendente, comida deliciosa.


- Casa dos Cariris: Lourdes e seu marido realizam uma verdadeira imersão à culinária e à cultura mexicana. Incrível e indescritível.



- Lamen Kazu: cardápio didático, prontidão nipônica e ingredientes fresquinhos.


Menções honrosas ao 210 Diner (descoberta que precisamos explorar ainda mais), ao Kawa Sushi (que nos fez feliz por diversas semanas) e ao Jardim di Napoli (sempre delicioso).

Que 2011 chegue ainda mais gordo para todo mundo! Até janeiro!!!

Abraços,

Gab's e Mari

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Forneria San Paolo

Decidir onde levar a namorada para jantar quando ela faz aniversário é uma questão que deve incomodar muitos caras. É bem difícil, realmente. Quem gosta de sair para comer sabe que nunca dá pra ter 100% de certeza que aquela noite será realmente especial. É tudo muito imprevisível, afinal de contas.

Neste ano, eu quis levar Maricota a algum lugar onde nunca tínhamos ido antes. Consegui me convencer de que a noite não precisava ser perfeita - mas simplesmente agradável, com um rango decente, num ambiente confortável. A experiência teria que fazê-la se sentir bem.

Fomos, então, à Forneria San Paolo, restaurante que já pertenceu à família Fasano e hoje está sob comando do empresário João Paulo Diniz. Para a informação ficar um pouquinho mais milionária, é bom lembrar que a Forneria fica na rua Amauri, no Itaim. Eu havia ido lá há uns sete anos (quando ainda fazia parte da antiga gestão), e lembrava de ter curtido bastante o lugar. Sugeri à Maricota e ela topou.

O ambiente é bem legal e não ostenta tanto requinte quanto pode se supor. Sabe aquele climinha "ver e ser visto"? Pois é, não é a nossa praia. O salão é todo cortado por um balcão envidraçado, que faz divisa com a cozinha. Conta com umas 40 mesas e é iluminado com uma luz fraca, boa pedida para um jantar a dois. Isso deixa o ambiente reservado e não intimida nem um pouco.

À primeira vista, o cardápio é extenso. Há várias opções de entradas (focaccia, bruschetta), saladas, carpaccios, massas e carnes. Mas o grande chamariz do local são os paninis. Foi por eles que chegamos à Forneria - e a pedida não poderia ser diferente.

E nesse quesito o cardápio não era tão extenso quanto imaginávamos. Você pode escolher o seu panini baseado em vários tipos de massa, como ciabatta, pão de miga, baguete, massa de pizza e pão sírio. Mas os sabores não variam muito, e sempre giram em torno dos queijos e presuntos com tomate, peito de peru, atum e calabresa.

Eu consegui fugir do comum e pedi um Panini Alla Forneria (massa de pizza na forma de baguete), sabor vegetariana (berinjela, abobrinha, shitake e mussarela). Saca só como vem repartido no prato, em três grandes pedaços:


O prato estava bem saboroso. Os ingredientes estavam bem equilibrados e fresquinhos. A combinação deu certo, mas no último pedaço eu já sentia que se tornava enjoativo.

Maricota pediu a mesma massa de panini, mas com recheio Trevisani (mussarela, espinafre e linguiça calabresa). Olha que delícia:


Ela também gostou da pedida, mas com ressalvas. O topo do pão estava crocante e o recheio veio generoso, mas não tão quente quanto poderia.

A impressão geral que nos ficou marcada foi de que a massa tem ótimo gosto, mas é muito pesada - e talvez isso tenha deixado o último terço enjoativo. Ainda sobre a massa, na parte inferior do panini ela chegou um pouco crua, naquele puxa-puxa.

De sobremesa, dividimos bananas douradas com sorvete de canela.



Apesar da apresentação fálica, o prato é extremamente delicioso. A banana é ligeiramente caramelizada. O sorvete é bem suave. A combinação deu certo do começo ao fim.

Como tomamos um vinho, a conta veio um pouco salgada: algo em torno de R$ 220. Se você optar por um suco, cerveja ou refrigerante, a brincadeira sai em torno de R$ 50, R$ 60 por cabeça. Justo pelo excelente atendimento, pelo ambiente agradável e pela comida, que afora os probleminhas, é bem preparada.

Nota 8 para a Forneria, que poderia dar mais opções de sabores aos paninis e torná-los um pouco menores para serem menos enjoativos e evitar o problema de massa crua.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Lá da Venda

Uma das coisas que aprendemos nas férias foi curtir os Cafés. No sentido mais amplo da palavra, que é sentar num estabelecimento comercial onde são vendidos cafés, outras bebidas, refeições pequenas, salgados, tortas... Olhar o movimento, conversar, beliscar alguma coisinha. Nada daquele clima mais formal dos restaurantes.

Pois bem, na última semana das férias, já de volta ao Brasil, fomos conhecer alguns cafés em São Paulo. E caimos no Lá da Venda, onde o clima é o mais informal possível. Localizado na Vila Madalena, é uma vendinha à moda antiga. Pelo teto, muitas coisas penduradas, salames, queijos. Tem produtos de papelaria, artesanato, panos, mantas, almofadas, toalhas, roupas em crochê, bolsas, necessaires, camisetas, acessórios, boneca de feltro, ioiô, pião, bilboquê, chapéus, cestas, cigarro de palha.... UFA! Tudo lindo, bem disposto pela casa, próximo ao mesmo balcão onde estão as comidinhas.



Nós fomos numa sexta-feira por volta de 17h. E só nós, mais ninguém ocupando uma mesa. Escolhemos um lugar no jardim interno, muito mais charmoso do que a também graciosa varanda com vista pra rua.



Embora não houvesse ninguém pra comer, havia muita gente pra trabalhar. Acho que contamos umas oito pessoas dentro daquela casa. Só para atender o pessoal, imaginamos.

Mas embora haja muita gente o serviço não é o forte do Lá da Venda. Lento, pouco atencioso. Tive que levantar por duas vezes para pedir no balcão, mesmo com muitas pessoas trabalhando e ninguém na casa além de nós. Pode até ser que o intuito seja esse, mas ninguém nos avisou do esquema "lá em casa".
Quanto a comida, ficamos numa tortinha bem saborosa. Eu fui de tomate cereja e o Gabi escolheu queijo de cabra, outro vício que ele adquiriu na viagem. A torta chegou morna, a massa estava bem feita, leve e macia. O recheio do tomatinho e de queijo é generoso, dá uma olhada:



Eu, que não resisto a um chocolate, pedi o que eles chama de fondant. Uma espécia de petit gateau, só que mais consistente, sem aquela calda que faz a maior meleca quando você corta o bolinho. Veio com uma bola de sorvete. Bem gostoso, mas aconselho dividir!


Confesso que perdemos a notinha e não sabemos o valor exato dessa experiência. Gabi lembra que foi algo em torno de R$ 60, por dois sucos, duas tortinhas, um fondant e os 10% daquele serviço capenga. Acho caro. Em outros restaurantes pagariamos um pouquinho a mais por uma refeição mais completa.

Pelo ambiente lindinho e aconchegante e pela qualidade da comida vou dar nota 7 para o Lá da Venda. Os três pontos perdidos ficam por conta do atendimento, que precisa ser mais atencioso e eficiente. Afinal, por que havia tantas pessoas trabalhando ali dentro? De qualquer maneira, recomendamos a visita. Vai que você dá mais sorte do que a gente?

Obs: mais depoimentos sobre o Lá da Venda vocês encontram no Aventuras Gastrônomicas. As meninas estiveram lá e também reclamam do atendimento, que foi muito pior com elas do que com a gente.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Tempero das Gerais

Essa deve ser a primeira vez que escrevo de barriga cheia. É que o impacto foi tão grande que não pude evitar. Eu e Maricota decidimos curtir um almoço pré-férias no Tempero das Gerais, na rua Princesa Isabel, no Brooklin. Ela me devia uma apresentação do lugar há algum tempo, e finalmente a ocasião chegou.
Dito e feito: que experiência! Lugarzinho tranquilo, no melhor estilo restaurante mineiro possível - cadeiras estofadas com um couro emborrachado, janelas escancaradas e ventiladores para ajudar a fazer o ar circular.

O cardápio é baseado na suposição de que as pessoas vão em turma pra comer por lá. A maioria das opções é para 2 pessoas, mas acredite: dá para 3 fácil, fácil. Tem de tudo que a comida mineira pode oferecer a um preço ótimo, que no fim das contas dá em torno de R$ 30 por cabeça.
Eu e Maricota experimentamos meia porção de torresmo com carne. Sim, isto é MEIA porção:


Extremamente delicioso. Torresmo molinho, fácil de comer, muito gordo e saboroso. Em meio a isso, uma bicadinha na pinga da casa. Preço? R$ 1. Eu resolvi experimentar e confesso que não fui até o fim. Eita bicha forte!


Eis que chega o Prato da Casa. Vamos por partes?

Arroz:


Pernil:



Couve:

Tutu de feijão, ovo, banana frita e mais torresmo (sem carne dessa vez):



Muita, muita, MUITA comida. Tudo muito fresquinho, preparado na hora, extremamente saboroso e bem selecionado. Impecável. Só que é um exagero. Quatro grandes pedaços de pernil é desperdício. Então... qual é a solução? Embrulhar e levar pra casa.

Mais uma nota positiva: a casa oferece uma pimenta sensacional. Sabor marcante, tão saborosa quanto picante. E ainda mais: viciante, já que depois que lembramos que ela existia, resolvemos temperar absolutamente tudo com ela.



Sem palavras para o local, que entra para a lista Hors Concours do nosso blog. Comida mineira é saborosa e deliciosa, e uma casa dessas tem que se preservar em São Paulo. Sem grandes pretensões, oferece um bom atendimento, preços honestos, comida muito boa e fartura até demais. Aceita VR, ainda, minha gente! Impossível dar nota menor que 10.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Andiamo

Dia das crianças é sempre significativo. Quando você é pequeno, é tudo uma festa por motivos óbvios. Quando vai crescendo, fica bem mais legal porque quase todos os anos a data cai numa terça ou numa quinta - o que a transforma num feriado prolongado. Algumas escolas e faculdades se reservam ao direito de dar a semana do saco cheio, veja só...

Pra mim sempre teve um significado a mais, porque essa é justamente a data do aniversário do meu velho. Em 2010 foi ainda mais bacana, porque reencontrei a família depois de um feriado cansativo, de muito trampo e guitarra no ouvido. Nada mais justo do que... sair pra comemorar!

Muitas questões vêm à cabeça nessa hora: é feriado, todos os lugares estarão cheios, estou cansado e não quero atravessar a cidade para um almoço... pra onde eu vou?

Solução: lugar mais perto possível + que não esteja muvucado + que não exija muito do meu bolso = shopping. Paulistanos? NÓÓÓS??? Imagina.

A primeira opção minimamente honesta que me veio à mente era o America. Mas aí me lembrei do Andiamo, onde nunca havia comido antes. E lá fomos nós.

O atendimento é ok, nada demais nem nada de menos. São garçons que correm pra lá e pra cá, não têm muita paciência de ficar te esperando, mas são eficientes no que fazem.

O cardápio é legalzinho. O preço dos pratos varia de R$ 30 a R$ 50. A força está nas massas - como em todo restaurante italiano -, mas há opções de carnes, peixes e até frango.

Os pratos chegaram à mesa em menos de 10 minutos. Espantou a rapidez, que depois foi explicada.

Maricota foi de Bracciola, aquela carne enrolada recheada com alguns legumes, às vezes ovo e bacon. Ponto negativíssimo: a paradinha veio fria. A solução foi pedir pra esquentar. O duro é pensar que a comida estava pré-preparada, que os caras só montam o prato na hora do seu pedido e dão uma requentada. Pra quem der mais sorte no cuidado com a temperatura, o prato é super bem servido. São duas bracciolas com massa ao molho de tomates.


Eu pedi um peixe do dia: um linguado com camarões, aspargos e purê de batata. Meu prato me surpreendeu, estava ótimo. O peixe estava fresco, um pouco empapado no azeite, mas extremamente saboroso. Harmonizou bem com o purê e com os pequenos camarões - vieram umas 10 unidades e estavam limpinhos.


O mais importante de tudo foi que os velhos curtiram e comeram à beça. Ele foi de bife à milanesa com farofa de presunto cru e ela foi de massa com bacalhau desfiado. Fala sério: sair de casa pra comer com a família é um programa que deveria estar no calendário nacional!

Quatro pratos mais três bebidas totalizaram R$ 198. Em média, R$ 50 por pessoa. Ah, pagos no VR - o que é ótimo.

Nota 7 pela comida pré-preparada e pelo preço pedido por ela. Mas não vou negar: o Andiamo é uma opção honesta para aqueles dias em que você tem mais tempo de almoço no trabalho, por exemplo. Só tem que estar disposto a gastar como se estivesse em um restaurante menos "fast food".

terça-feira, 19 de outubro de 2010

FERIAS

Ei, pessoal!

Passamos aqui para informar que o casal estah de ferias - inclusive dos acentos, jah que o teclado que usamos nao nos permite coloca-los.

Por isso, novos posts apenas na segunda quinzena de novembro, ok?

Comam muito por ai, que por aqui nem precisamos dizer o que estamos fazendo.

Abracos,

Gab`s e Mari

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Lamen Kazu

Essa é a história de uma refeição que inspira e transpira cultura. E ela começa no bairro da Liberdade, num sábado cinza, bastante gelado e meio chuvoso. O herói desse dia, em que tudo conspira para ser perdido debaixo de um cobertor, é japonês. Não, não é o Gabi.


E também não é esse barbeiro com quem cruzamos por lá.

Nosso herói é um prato que atende pelo nome de Lamen. Muito popular no Japão, é um macarrão mergulhado num caldo quente com diversos "apetrechos". Cada casa de lamen desenvolve o seu caldo e acessórios. Será que dá pra dizer que é o arroz com feijão deles? Alguém aí poderia nos ajudar? Bom, o fato é que na Liberdade, bairro típico oriental onde se passa a nossa história, há várias casas de lamen. E lá fomos nós enfrentar o mau tempo atrás de um bom caldo com macarrão.

Os guias nos indicaram o Lamen Kazu e o Aska. No segundo, a fila estava imensa. No primeiro, aturável. No Kazu, decidimos aguardar a meia hora indicada pelo garçom, um oriental pequenino e muito simpático. Esperando com a gente, várias famílias e casais japoneses. Todo mundo bastante habituado, já pegando o cardápio, fazendo pedidos... Sim, fazendo pedidos. O Kazu não tem área de bar pra você ficar petiscando enquanto aguarda, então o garçom que controla a lista de espera se prontifica a adiantar os pedidos. Genial, não?

Então fomos fuçar no cardápio. Tudo em japonês, que maravilha! Mas deve ter algum bom infografista trabalhando para o Kazu, porque o cardápio é ultra explicativo. Olha só essa foto cheia de detalhes com todas as explicações necessárias pruma boa escolha:


Você não se sentirá desamparado. Se sobrar alguma dúvida, o garçom que te recebe na porta pode ajudar. 

Depois de 30 ou 40 minutos de espera, conseguimos sentar. Como já havíamos feito o pedido lá fora, os pratos não demoraram nem 5 minutos pra chegar à mesa. Nossas lombrigas agradeceram a agilidade!

O lamen é incrivelmente bom. Uma festa de sabores e aromas, num casamento perfeito. O caldo, que é a base do prato, é extraído de ossos de suínos e frangos e aí misturado a um molho. Nós pedimos um misso (pasta de soja fermentada), mas poderiamos ter escolhido shoyu, por exemplo.

Esse é o Misso Negui, pedido por mim. Os apetrechos são: Menma (broto de bambu em conserva, fatias grossas, mas macias), Moyashi (broto de feijão), Nirá (folha de alho, uma ótima surpresa, de gosto bem marcante), Shiragá Negui (cebolinha nebuka fatiada bem fininha, de consistência meio áspera), Tyashu (uma fatia de carne de porco cozida), Nori (folha de alga) e Cebolinha.


Gabi foi de Misso Tyashu, um prato bem parecido, mas sem a Shiragá Negui, apenas com a cebolinha tradicional.


O lamen é um macarrão delicioso. Para quem está acostumados aos miojos, a idéia é mais ou menos a mesma, com a determinante diferença de que o miojo é industrializado e cópia de uma massa super leve e maçiça. O lamen harmoniza demais com o caldinho e os outros ingredientes do conjunto, não tem nada a ver com aquela cara de água suja (e boa, inegável) do miojo.

Para acompanhar, arriscamos uma porção de guioza. Digo arriscamos porque faz tempo que não comemos isso em rodízio, por conta da gordura e da falta de sabor. Pois é, mas no Lamen Kazu descobrimos que guioza pode sim ser bom - e muito bom. A massa deles é extremamente leve, parece cozida no vapor. Na foto só existem três sobreviventes, mas a porção chega à mesa com cinco unidades.


Aos fins de semana, o restaurante fecha às 15h. Meia hora antes o garçom parou de montar a lista lá fora. Lá dentro, já confortáveis depois de comer bem e sentindo estar na sala de casa, duas vezes vieram nos perguntar se queriamos mais alguma coisa da cozinha, que já estava se preparando para fechar.

Agora atenção para os preços, muitos camaradas! Os dois pratos gigantes, a porção e dois refrigerantes nos custaram R$ 66.

A disciplina e atenção japonesa no atendimento, a minúcia no preparo do prato e a descoberta de sabores que nunca havíamos provado antes fazem com que o Lamen Kazu entre para o hall dos restaurantes Hors Concours do nosso blog. Nota 10 seria pouco para essa experiência fantástica que vivemos no bairro da Liberdade. Não é toda hora que grandes restaurantes estão escondidos em casinhas pequenas e simples, sem grandes propagandas e divulgação. Os heróis, afinal, conseguem resgatar coisas simples da vida - como tornar um dia frio e chuvoso num dos dias mais marcantes das nossas experiências gastronômicas! 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Killa Novo Andino

Diga lá três pratos da cozinha peruana.

Impossível. Só quem manja muito do assunto tem a resposta na ponta da língua. Como eu e a Mari fazemos parte dos analfabetos gastronômicos, tivemos uma grata surpresa no Killa Novo Andino.

O restaurante fica em Perdizes, numa esquina bem simpática na rua Tucuna com a rua Coronel Melo de Oliveira.

Assim que chegamos, um garçom muito educado nos ofereceu o cardápio e um couvert que logo de cara agradou e despertou curiosidade. Ele nos explicou que eram sementes de milho aquecidas - que, ao contrário da pipoca, estouravam pra dentro. A casca, mais dura, impede o milho de estourar pra fora.


O nome do milho, segundo o garçom (nosso ótimo consultor naquela noite), é chulpe, uma variedade para ser tostada. É um petisco bem interessante. Bem crocantes, as sementes têm um gosto que lembra muito o sabor da pipoca, mas é um pouquinho mais concentrado.

Começamos pedindo as bebidas. Eu pedi uma cerveja boliviana, a Paceña. Ela é bem leve, pouco encorpada, desce numa boa. Aprovada!


A Mari pediu um pisco sour, drink preparado com limão, pisco, clara de ovo, xarope de goma e gotas de angostura. Bem saboroso e fraquinho, muito bom! Diz a lenda que o pisco está para o Peru assim como a caipirinha está para o Brasil.


Depois disso, demos uma fuçada no cardápio. Há entradas bem interessantes e mais conhecidas (como diversas variações de ceviche) e algumas com influências japonesas (com fatias de peixe cru) - chamadas de tiraditos. Nós preferimos apostar no polvo crocante. Vieram três fatias do molusco, com cenoura e cebola refogadas e uma pitadinha de pimenta. Pequeno, mas bem gostoso - mais pela composição do prato e pelos temperos do que pelo preparo do polvo, que não parecia estar tão fresquinho.


E só então fomos aos pratos principais. Eu pedio o Oro: filé mignon, marinado em aji panca, servido com guisada de papa seca, cogumelos e bacon.


Vamos ao glossário. Aji panca é um tipo de pimenta vermelha escura típica do Peru. Confesso que não senti o que se pode chamar de picante, nem sequer um gostinho de pimenta. O que me chamou a atenção foi a guisada de papa seca - e aí voltamos ao glosário novamente.

O guisado é uma técnica de cozinhar carnes dentro duma panela tampada, deixando os ingredientes (muitas vezes pré-cozidos ou fritos) misturarem os seus sabores de um modo bem lento à carne.

A papa seca é um tipo de batata que passa por secagem a frio próximo à cordilheira dos Andes, onde a temperatura chega a abaixo de zero e a umidade é muito baixa. Ficou sensacional a combinação com a carne (que estava macia), principalmente porque a papa seca ficou com uma consistência bem viscosa, com um caldinho leve que ganhou o sabor de todo o conjunto. Eu pedi a carne bem passada, mas um terço dela estava ao ponto – tendendo para o mal passado.

A papa seca me pareceu uma raiz com um sabor que oscila entre a mandioca e a batata. É muito boa!

Já Maricota foi de Pescado Tacu Tacu: filé de peixe empanado em panko, servido com tacu tacu peruano de lentilhas e bananas salteadas.


O tacu tacu, se me lembro bem, é uma maneira de indicar um cozidão. No caso do Killa, é o arroz misturado à lentilhas. Essa mistura, disse a Maricota, é incrível porque vem ligeiramente frita. E ainda serve de cama para o peixe, que estava bastante macio e com tempero na medida certa. Ela só não viu muita diferença na farinha panko, que seria um pouco mais crocante do que a comum. As bananas casaram perfeitamente com os outros ingredientes. Uma combinação muito feliz, segundo a nossa anfitriã.

Por fim - e exageradamente -, pedimos um menu degustação de sobremesas peruanas. Olha só que apresentação legal:


São doces simples, sem grandes novidades, à base de leite condensado, doce de leite e algumas frutas (abacaxi e uma outra típica de que não lembramos o nome). Não é nada fora do comum. Nenhum doce é au concours, portanto se você é fã de sobremesas, não espere muita coisa.

No fim, a conta saiu em torno de R$ 70 por pessoa - isso porque quisemos experimentar de tudo um pouco. Não nos arrependemos de nada: a cozinha peruana é muito rica, com temperos e modos de preparo bem diferentes de tudo o que já provamos até hoje.

O Killa surpreendeu pelo capricho no atendimento aos clientes. Os garçons sabem dizer exatamente o que é cada prato e bebida, como é o modo de preparo e as razões de determinados sabores sobressaírem.

Não nos resta outra avaliação para uma nova experiência bem-sucedida, senão a boa e velha nota 10. Fica nossa dica para aqueles que, assim como nós, buscam na diversidade da culinária paulistana uma experiência que fique marcada pra toda a vida!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Platibanda

Nunca fizemos um post sobre molhos ou temperos, mas esta descoberta vale um breve registro.

Há algum tempo, o Platibanda é um dos bares que mais frequentamos na Vila Madalena. Injustiça ele não ter sido citado por aqui até hoje!

Vamos à história: o Platibanda oferece uma pimenta artesanal sensacional. Eu, Gabriel, nunca fui fã de pimenta. Mas recentemente tenho me interessado mais pelo assunto.

Descobri que não curto quando ela é muito picante - naquele naipe que você precisa interromper a refeição pra tomar um ar. Nunca vi barato nisso, é tipo "teste seus limites" ou "como perder a fome em uma mordida".

Mas pimentas como a do Platibanda têm me ajudado a mudar de idéia. O que eu tenho mais buscado é uma pimenta saborosa: um pouco picante, mas bem temperada. A do bar é assim, olha só que bela apresentação:


Dessa vez, comemos com coxinha e uma porção de filé acebolado. Da próxima, certamente pediremos com outros petiscos.

Para acompanhar, Serra Malte ou Original.

Não vou falar muito do Platibanda porque é um tipo de bar que você tem que ir pra descobrir qual é a sua mesa preferida, qual é o canto que mais lhe agrada, qual prato que combina mais com seu perfil, qual garçom lhe dá a dica mais bacana.

Serviço seja dado: o bar fica na rua Mourato Coelho, 1365. Vá e prove a pimenta artesanal!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Fala, chefe! (Chef Fabrice)

Recentemente fomos a um bistrô muito simpático e aconchegante na Vila Madalena, o Chez Fabrice. Vocês se lembram?


Quem nos acompanha sabe que nunca entendemos direito qual é o grande barato da cozinha francesa. É difícil questionar verdades sacramentadas da gastronomia mundial, uma vez que justamente os conhecedores desse setor se consideram a última azeitona da empada.

Pra nos ajudar nessa busca, o simpático chef Fabrice Delassus resolveu contar um pouco de sua história. Ajudou-nos a traçar as pistas dessa admiração universal pela cozinha francesa.

Pelo que ele diz, você vai ver que o conceito de sofisticação talvez esteja enraizado no hábito e na tradição, não tanto na ousadia ou na força dos sabores. Válido? Arcaico? Só indo a um bistrô para tirar suas conclusões.

Chega de falar e bora pra entrevista:

Primeira pergunta, já de praxe: o que faz de um restaurante um BOM restaurante?
Um bom restaurante é uma combinação de várias coisas, entre elas uma boa comida e bem executada, atendimento atencioso, ambiente agradável e clientes satisfeitos.

Os pratos da cozinha francesa não são tão fartos - e aqui no Brasil, o pessoal gosta de encher o prato de comida. A que se deve essa diferença?
Eu acho que a quantidade que se come é uma questão de hábito. Na França é costume uma refeição ser composta de vários pratos como entrada, prato principal, queijos, salada e sobremesa, o que considero bastante comida. Já no Brasil, a refeição tradicional é basicamente composta de prato único e por isso bem farto. Como disse, é só uma questão de hábito.

Por que você escolheu o Brasil pra abrir um negócio, e não qualquer outro lugar do mundo? O que lhe trouxe aqui?
Eu trabalhava em Londres, e posso resumir em três as principais razões que me fizeram escolher o Brasil. A primeira foi o investimento. Em Londres, seria muito caro abrir um empreendimento. Lá eu não conseguiria recursos suficientes para concretizar o sonho de abrir meu próprio negócio. Outro fator importante foi o fato de aqui ser um país emergente, economicamente falando, enquanto praticamente toda a Europa encontrava-se num cenário de crise. O terceiro motivo: eu estava cansado de frio e chuva depois de 13 anos em Londres. Eu nasci no sul da França, uma cidade de litoral, Saint-Raphael, desejava viver numa região com um clima mais agradável, uma região quente e próxima à praia. Então, aqui estou.

Como foi abrir um bistrô num bairro agitado como a Vila Madalena? A receptividade foi boa?
Hoje a Vila Madalena mudou bastante, não tem apenas o perfil de baladas, embora concentre ainda muitos bares e botecos. Começa a despontar nessa região uma vocação gastronômica em que eu apostei e, felizmente, tenho tido boa receptividade desde dezembro de 2008, quando inaugurei o Chez Fabrice.

O que lhe encanta na cozinha francesa?
A diversidade. Não é possível ter uma única definição para as características da cozinha francesa, ela é muito variada. Cada região da França tem suas características específicas da região, com o emprego de ingredientes regionais e uma maneira própria de preparar cada prato, diferentes em cada lugar do país. Por exemplo, o norte utiliza mais manteiga e creme de leite nas receitas enquanto que no sul a preferência é pelo emprego de azeite e de verduras.

Qual é o seu prato preferido?
O Cassoulet. A razão é mais emotiva, porque esse era o prato que minha mãe preparava e, como toda receita de mãe é preferida, nos acostumamos a saborear esse prato especialmente nos dias mais frios de inverno.

Você gosta de comida brasileira?
Eu gosto muito da culinária brasileira, porém ainda tenho muito a conhecer. Do que já conheço, meu prato predileto é a feijoada, talvez porque lembre o cassoulet, ambos são preparados com feijão e muitos ingredientes em comum. Outro prato que me agrada muito é a moqueca de peixe, por sua exuberância no tempero e nos paladares que desperta.

Pensa em misturar elementos da nossa cozinha no seu menu?
Eu não acho viável porque a proposta do Chez Fabrice é a cozinha de bistrô que oferece os clássicos da culinária francesa, embora possamos utilizar no preparo dos pratos alguns temperos daqui. Quem sabe num próximo empreendimento eu não me arrisque na culinária brasileira!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Jardim di Napoli

Acredito muito que viver junto pode ser pra sempre. Isso porque tenho perto de mim os melhores exemplos. Avós que estiveram unidos até o fim, pais bastante companheiros e sogros na mesma toada há 27 anos. Pois é, 27 anos. Detalho especificamente essa data porque foi ela que nos levou ao Jardim di Napoli, um restaurante italiano em Higienópolis, num bonito domingo de sol. Gabi escolheu a cantina fazendo propaganda do famoso polpettone servido por lá - nós já conhecíamos, os pais dele não.

Família que almoça cedo, chegamos ao restaurante mais tarde do que gostaríamos, às 13h. E já estava completamente lotado. Nos banquinhos do andar de baixo e no bar do mesanino, os comensais se espremiam à espera de uma mesa. Recebemos aquele moderno esquema de senha, um aparelho que pisca incessantemente quando chega a sua vez de sentar, e fomos até o bar acalmar as lombrigas.

Gabi, que há pouco tempo virou um admirador de berinjela, escolheu um antepasto cujo nome me esqueci, mas que consiste numa fatia fina de berinjela que, depois de ir ao forno, é recheada com tomate seco e dormida no azeite. A porção consiste em seis unidades. Olha só que saborosa:


No meio da degustação e da surpresa boa que foi descobrir essa entrada, nosso aparelho começou a piscar loucamente e lá fomos nós ocupar um lugarzinho ao sol. Apesar da lotação, nos sentamos em coisa de quinze minutos. A rotatividade do Jardim di Napoli é muito grande, o serviço é rápido e a cozinha trabalha sem relaxar com o calor do forno. Isso é ótimo, porque num lugar ainda não acostumado a lidar com espera, teríamos comido umas dez entradas esperando uma mesa.

De volta ao menu, todo mundo só tinha certeza de uma coisa: o famoso polpettone à parmigiana. Então, garçom, vê dois pra gente! Não pedimos quatro porque os pratos são enormes e também quisemos comer uma massa. Eu e Gabi dividimos um polpettone e um nhoque ao sugo:


Os pais dele foram de polpettone com conchiglione, aquela massa que parece uma concha com recheio de queijo, ao molho branco:


O fama do polpettone não é mito. Esse bolo de carne recheado com mussarela e servido com molho de tomate é de chorar de tão bom. Enorme, carne macia por dentro e com uma leve casquinha da fritura por fora, muito recheio e mergulhado no molho. Não é a toa que é o carro chefe da cantina e, se você reparar bem, pedido por todas as mesas. Acabo de ler uma entrevista com o dono em que ele diz chegar às 6h30 da matina para preparar mais de 500 bolos de carne.

As massas também são muito bem feitas. Nhoque tem aquela coisa de ficar molengo e grudando na boca que nem bala de goma, mas lá é super firme e macio. O molho de tomates é meio adocicado, muito gostoso também. Os pais do Gabi também aprovaram a massa e o molho branco.

De volta à rapidez do serviço, nossos pratos chegaram à mesa em exatos cinco minutos. Super quentes e deliciosos. Os garçons são mais velhos e devem trabalhar ali faz tempo, o que faz com que dominem o cardápio de trás para frente. São discretos e muito eficientes. Fora que rola aquele clima de cantina italiana super aconchegante pra quem é descendente: cheiro de massa e molho de tomates, toalha xadrez, o tilintar dos talheres e uma certa gritaria, porque cantina italiana não combina com a discrição de conversar baixinho!

Todo mundo saiu com a sensação de que esses 27 anos de casamento foram muito bem comemorados. O almoço deu em torno de R$ 220, com três pratos (dois polpettones, um nhoque e um conchiglione divididos em quatro pessoas), uma entrada, quatro bebidas, um café e os 10%. Não é pesado, porque comemos muito bem e gastamos R$ 55 por pessoa. Ah, e aos domingos o estacionamento é de graça! Viva a tradição do Jardim di Napoli, que merece uma nota 10 por conseguir se manter no topo mesmo depois de tantos anos.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Chez Fabrice

Falar de comida francesa talvez seja o ponto máximo da vida de um crítico gastronômico. Afinal, é lugar comum dizer que se trata de uma cozinha clássica, sofisticada, cheia de detalhes. Como não somos críticos gastronômicos, visitar um restaurante de cozinha francesa, do alto de nossa leiguice, não passa de mais uma oportunidade de desfrutar experiências diferentes pra vida.

Nessas andanças, acabamos encontrando o Chez Fabrice, um bistrô escondido em meio à agitação da Vila Madalena. Mesmo estando bem próximo ao burburinho do quadrilátero da Aspicuelta (Posto 6, São Bento, Patriarca e José Menino), o restaurante é super tranquilo e nada barulhento. Fica até difícil encontrá-lo em meio a tanto agito! Lá dentro é super aconchegante e intimista, um clássico bistrô. Logo na chegada, fomos recepcionados pelo simpático proprietário Fabrice Delassus, que parece fazer questão de dar as boas-vindas - com o devido sotaque - a todo visitante.

Acompanhados de outro casal querido, Rafa e Beca, começamos a debulhar o cardápio. Todos as opções estão em francês, com tradução e explicações em português. Se ainda restar dúvida, consulte os garçons - que são muito bem instruídos, sabem com propriedade do que estão falando.

De entrada, pedimos trouxinhas de queijo Boursin, um queijo de cabra pasteurizado acrescido com creme de leite. Ele é bem cremoso e saboroso, mas a trouxinha deixou a desejar. Criamos uma grande expectativa pela entrada, que demorou mais de 30 minutos para chegar à mesa e cuja massa, bem fininha e pouco saborosa, não chegou a surpreender.


De qualquer forma, o que ajudou a enganar a fome foi o couvert - super completo!

De prato principal, pedi confit de pato com risoto de cogumelos. A apresentação é muito bonita, saca só:


O prato também estava delicioso. A carne estava limpinha, muito bem temperada (confit bem preparado!), e tinha uma casquinha muito saborosa. O risoto de cogumelos também estava super gostoso, tinha vários shitakes e harmonizou bem com a carne de pato. Mas é bom deixar claro: o prato não é abundante, vem pouco risoto.

Maricota pediu Bouef Bourguignon porque, desde que assistiu ao filme "Julie & Julia", criou simpatia pelo grande desafio da vida de Julie Powell, a Julia Child moderna. A câmera do celular não ajudou muito porque o conteúdo do prato é escuro, mas é um cozido bonito.


Cheia de expectativa, Maricota ficou um pouco decepcionada. Não que tenha achado o prato ruim, mas disse esperar mais. O Bouef Bourguignon é uma carne cozida em vinho de Borgonha, daí o nome. O ensopado ainda leva cenoura, bacon, cebolinha e cogumelos. É um prato marcante, em que prevalece o sabor do vinho. A carne estava macia.

Para finalizar, ainda emprestamos algumas colheradas de um Petit Gatêau com sorvete de pistache do Rafa, que havia pedido um menu fechado por R$ 50. Essa opção vale a pena, pois oferece uma entrada, um prato principal e uma sobremesa. E a sobremesa, como não poderia deixar de ser, estava bem boa:


A experiência foi ótima. Um ambiente agradabilíssimo, atendimento ótimo e comida muito bem preparada. Pagamos algo em torno de R$ 70 por pessoa e valeu muito a pena. O ponto baixo é a demora dos pratos, mas isso não chegou a incomodar porque o papo e o couvert estavam ótimos!

Um ponto positivo do restaurante é o site dele, que oferece o cardápio completo com preços. Ou seja: deixa claro o que oferece e quanto cobra por isso. Quer qualidade maior do que a honestidade?

Colocando os prós e contras na balança, anotamos mais uma nota 10.

A grande lição é: esteja preparado para comer com decência, e não como um troglodita. A dica é destinar duas horinhas para o jantar. Aproveite o passeio, delicie cada minuto dentro daquele espaço aconchegante e saboreie cada garfada, porque vale a pena.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Fábrica Pizza-bar

É sempre complicado falar de pizza. Todo e qualquer cidadão paulistano se dá o direito de eleger a melhor pizzaria da cidade por inúmeras razões. Tentar provar o contrário é como forçar um corinthiano a torcer para o São Paulo, ou fazer um xiita se tornar sunita. Desista, não vai levar a nada.

Mas, por aqui, o que podemos fazer é recomendar uma boa pizzaria. Há algum tempo, temos comido uma pizza deliciosa, num local muito agradável, com atendimento bem atencioso. Trata-se da Fábrica Pizza-Bar, localizada na rua Caraibas, 386, em Perdizes.

O atendimento é sempre super simpático. Garçons e garçonetes conhecem as opções de cabo a rabo, e estão sempre atentos a qualquer pedido ou insatisfação.

O cardápio é honesto. Pizzas de sabores tradicionais e mais exóticos (salmão, carne seca, frango poró) variam de R$ 30 a R$ 40. A dica fica para pedir a massa pan, que vem macia e ao mesmo tempo crocante. Além disso, é possível dar um toque especial de tempero: azeite, queijo ralado, orégano e pimenta.


Pra quem estiver na fúria, é legal pedir uns tubinhos com massa fina (tipo panquequinha) de entrada. Os sabores: catupiry, chili ou pomodori. Um melhor que o outro! Por R$ 11, são ótimos para enganar o estômago durante os 20 ou 30 minutos em que a pizza é preparada.

Há algumas semanas, estivemos lá com os irmãos da Mari e pedimos duas pizzas. A primeira foi de marguerita. Honestíssima!


Em seguida, meia de calabresa, e meia de atum.


Atum é aquilo, né... "ame-o" ou "deixe-o". Maricota adora, principalmente com a massa fina da Fábrica (que ela também acha crocante, mais leve que a pan). O atum vem com bastante queijo e tomate, fica bem saboroso! Olha só:


A de calabresa também é bem saborosa, com fatias bem passadas e vários pedaços de azeitona e tomate:


Gostamos tanto do local que recentemente resolvi comemorar meu aniversário por lá. Afinal, não é em qualquer lugar que se encontra chope Heineken por R$ 4,30 e chope Xingu por R$ 4. Foi ótimo! Pelo que senti os convidados acharam o ambiente bem bacana - e o melhor: a pizza também foi aprovada.

Quem ainda quiser uma sobremesa, pode pedir pizza de chocolate com morango ou sorvetes Häagen-Dazs. Quer mais o quê?

A nota é 10 para a Fábrica, porque ainda não encontramos motivos para criticar. Há quem diga que o preço é salgado, mas o cardápio e o serviço justificam a cobrança.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Makis Place

Não conhecemos nadica no Morumbi e precisamos nos aventurar por lá no fim de semana. Fomos conversar com dois jovens moradores da comunidade Vila Andrade, uma região extremamente pobre no meio daqueles prédios colossais do bairro. O assunto? BLOG! Os garotos estão começando a entender o papel que a internet pode ter na vida deles, ajudando a divulgar os talentos da comunidade e colocando o pessoal que convive com eles pra pensar sobre os problemas da região. Batemos um papo muito legal por cerca de duas horas, montamos o blog deles e postamos os primeiros textos. Depois dê uma passada lá pra incentivar a meninada: http://www.palavradeadolescente.blogspot.com/

Mas o que é que isso tem a ver com o Restaurante Couple? Tudo! Além da gente ter espalhado uma sementinha por lá e torcer pra que eles sigam firmes nesse mundo digital, o caminho de volta nos colocou de cara com uma temakeria bem bonitinha, a Makis Place. Hora do almoço, barriga roncando e por que não arriscar...

No calor que fazia sábado, o ambiente climatizado caiu muito bem. Sentamos num sofá espaçoso, não muito colado à mesa ao lado. Ótimo, pudemos conversar sem que eu ficasse de orelha ligadona nas conversas paralelas.

Não me lembro de um cardápio de temakeria tão cheio de opções como o do Makis. Várias páginas, muitos temakis diferentões e mais outros pratos típicos de um japonês: sushis, sashimis, grelhados. Eles tem a família do Salmão, do Atum e de outros peixes. Cada família dessa tem um montão de variações, que vão desde queijo brie a macadâmia, abacate a abobrinha. No mínimo diferente.

Em toda temakeria que vamos eu procuro por algo empanado. Na Makis eu achei! Salmão empanado, quente e crocante, cream cheese e cebolinha. Muito, muito gostoso. O melhor de tudo é que não precisei largar a pontinha do cone por falta de recheio. Até o último minuto havia um delicioso salmão me esperando...

Gabi fez uma escolha mais tradicional, mas não menos gostosa, salmão skin. Também muito generoso na quantidade de recheio e enrolado numa alga super crocante. Fazia barulho a cada mordida.

Mas a surpresa mesmo ficou por conta de um temaki que no lugar do arroz tem flocos de arroz. Tá certo que não somos o tipo de casal que vive experimentando temaki, mas mesmo assim nunca ouvi alguém falar de algo assim. É novidade, não é? Nós gostamos demais da criança. Achei mais pesado do que o temaki comum, tanto que não aguentei comer inteiro, mas é mil vezes mais saboroso. Nós escolhemos um de salmão com cream cheesse. Essa bolinhas é que são os flocos...

Quatro temakis e dois refrigerantes nos sairam R$ 55. Gostamos do ambiente, adoramos a comida, mas achei o atendimento um pouco desorientado. Pode ter sido uma infelicidade do dia, mas aqui nós avaliamos o conjunto da obra no momento da visita. De qualquer maneira, achei o temaki de peixe empanado que só comia no Komê Sushi e que não encontrava em mais lugar nenhum, e isso é uma imensa felicidade! Nota 8 para o Makis.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Templo da Picanha - o retorno

Vou começar esse post confessando que é muito gratificante compartilhar experiências. Depois de mais de um ano de blog é que a gente começa a perceber o que realmente mexe ou não com as pessoas. Perceber, sim. Entender, talvez, seja um passo maior que a nossa perna.

O post que fizemos sobre o Templo da Picanha foi um dos que mais nos alegrou. Diversas pessoas se manifestaram - seja para falar de lugares zicados, da qualidade do restaurante em questão ou discutir um pouco sobre a essência do blog. Com isso, o Restaurant Couple cumpriu plenamente um de seus deveres: gerar o debate.

Como temos o costume de prometer e cumprir, lá fomos nós dar mais uma chance ao Templo da Picanha. Desta vez, acompanhados pelo casal Braguinha e Carol.

O garçom que nos atendeu foi muito atencioso e educado desde o início. Não se importou em nos explicar o cardápio, trouxe cerveja gelada e deixou os copos cheios sem titubear. Esteve sempre por perto e alerta, na medida certa. Não foi o mesmo que nos atendeu da primeira vez.

Logo de cara pedimos duas porções de picanha - que vinham acompanhadas de pão francês, vinagrete e farofa. Olha só o acompanhamento, que beleza:



A Mari foi bem exigente no pedido: queria a carne ao ponto, sem necessariamente vir sangrando - apenas avermelhada no centro. E as peças vieram exatamente assim, sem tirar nem por.

Uma das coisas de que sentimos falta foi a chapa, para aquecer a carne. Tradicionalmente, diversos restaurantes e bares daqui da capital oferecem essa peça para os clientes. É bem legal, você pode tanto preparar a carne à sua maneira quanto aquecê-la, sem deixá-la esfriar. O lado bom dessa ausência é que ninguém saiu cheirando churrasco do Templo. O lado ruim é que a carne vem num prato comum e acabou esfriando mais rápido.

Para o meu paladar, a picanha veio um pouco sem sal. Mas todos da mesa gostaram. O melhor de tudo: uma peça fatiada custa R$ 12 e serve duas pessoas. Foi tão bacana que abriu o apetite.

Aí partimos para a segunda rodada. Mais uma porção de picanha e uma de linguiça Fiorentina. Dessa vez, sem a opção no cardápio, demos uma choradinha por uma carne acebolada. Fomos prontamente atendidos e a picanha veio coberta por uma cebola que, de tão suculenta, acabou realçando o tempero da carne.



Já a promessa da linguiça era de um embutido com queijo - pelo menos era o que nos tinha sido explicado. Veio apenas uma calabresa bem temperada e bem saborosa.




Depois de um bom papo, de um bom atendimento, de boas escolhas do cardápio e uma cervejinha bem gelada, pedimos a conta. Pagamos R$ 22 cada um. Relação custo-benefício como há tempos não víamos.

O restaurante se redimiu completamente, passou uma imagem totalmente adversa daquela que tivemos na primeira vez. Alô Marcelo: o histórico da esquina zicada pode muito bem ser mudado se as coisas continuarem assim. Segue o jogo!

Dessa vez, nossa nota será 9. Só não será 10 porque realmente a chapa faz falta num local que se denomina "O Templo" da senhora das carnes. Pelo menos como opção, achamos que poderia constar!