sábado, 28 de março de 2009

Le Manjue Bistrô

Logo na primeira garfada, o choque para um sistema digestivo acostumado com gordura, sal, tempero e condimentos abusivos. No lugar, um sabor leve e fresquinho, que faz relembrar ao paladar que ele não precisa ficar refém de estímulos extremos para ser feliz.

Essa foi a sensação de comer no Le Manjue Bistrô, na Vila Madalena. Tanto no prato da Mari (Arroz, camarão à provençal, banana e curry) quanto no meu (Tilápia marinada em ervas ao molho de maracujá, com couscous à marroquina), a única palavra que pode definir a sensação é DIFERENTE.

Diferente porque a apresentação do prato é linda, toda colorida e cheia de nomes difíceis (na boa, só a garçonete consegue decorar tudo).

Diferente porque são tantos sabores que estão fora da nossa dieta que em certos momentos é impossível decifrar o que estamos jogando goela abaixo.

Diferente porque as combinações não necessariamente são perfeitas, mas há tanta raridade naqueles pratos que você decide que sim, deu certo.

Diferente porque se bobear foi a primeira vez na vida que entrei num restaurante natureba.

Ok, ok... talvez me irrite um pouco esse conceito de tentar viver de clorofila, fazendo fotossíntese. Mas tenho que confessar que a culinária tem uma variedade bacana de pratos e de sabores.

Só que tem algo de errado em tudo isso.

A idéia dos donos do lugar é a seguinte: "unir alta gastronomia a uma alimentação orgânica e funcional." Pelo amor de Deus, alguém me diga o que é uma alimentação orgânica e funcional! Vale a pena entrar no site dos caras e tentar entender o que eles explicam... chega a ser hilário!

O cardápio dos malucos parece uma Bíblia doutrinária da seita "sou verde, e daí?". Tem umas 20 páginas, 10 delas tentando esclarecer a pegada do restaurante. E pra tornar as coisas um pouquinho mais críticas, as opções de pratos não são auto-explicativas. Quem chega pela primeira vez fica perdido, porque não faz a mínima idéia de que raios se trata "raita de iogurte com ervas" ou "ceviche com crumble de Quinua".

A mesa para dois, ainda, é bem curtinha e apertada.

São muitos errinhos e detalhes que, somados, infelizmente tiram o Le Manjue Bistrô da lista seleta dos bons restaurantes de São Paulo. A conta, devidamente paga pela primeira dama, tem grande responsabilidade nisso. Couvert da casa + 3 sucos + dois pratos + 10% de serviço (merecidíssimo) = R$ 166. Um absurdo, até porque nem sobremesa pedimos. Racionalmente falando: se aquilo tudo que eu comi não passou por processo industrial, então por que raios foi tão caro?

Nota 6, porque o bom gosto do chef deixa os pratos deliciosos e incomparáveis.

Se quiser ser diferente, surpreenda. Mas... como diz o Bial: use filtro solar.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Brascatta

Plena segundona e fomos a Brascatta, uma pizzaria na Lapa, para comemorar a aposentadoria da Dona Hilda, mãe do nosso anfitrião. O casal adora pizza, mas a de hoje tinha tudo para estar com aquele gosto amargo. Saindo da estação de trem, pouco antes de encontrarmos os pais do Gabi, fomos assaltados. Uma carteira e dois celulares a menos nas bolsas. Bateu um desânimo.

Todos meio mareados pelo ocorrido, chegamos. Eu já tinha reparado na fachada da pizzaria, e dentro ela é ainda mais bonita. Decoração clean e moderna, boa iluminação, mesas espaçadas, pé direito alto e um grande bar no centro do salão. Muito bom gosto!

O cardápio é cheio de opções. E as pizzas, como roupas, têm tamanhos P, M e G. Escolhemos a grande: um terço de atum, um terço de toscana e um terço de rúcula. De entrada, pão de calabresa. Para beber, Coca para todos!

Tudo chegou bem rápido. A massa do pão é levinha e a calabresa apimentada na medida. A massa da pizza é crocante e temperada com delicadeza. Deu pra sentir que não era só água e farinha. O recheio veio no ponto. O atum estava banhado num molhinho de tomate fresco, a calabresa veio torradinha sobre uma mussarela bem derretida, e a rúcula veio coberta por tomate seco.

Também gostei do serviço. Discretos, atenciosos e educados os garçons que nos atenderam. Eu adorei, e o gosto passou bem longe do amargo. Entrada + pizza + bebidas + 10% = R$ 60. Justíssimo. Aprovamos a Brascatta e vamos voltar. Mas na próxima, por favor, não levem a nossa carteira antes. Nota 10.

domingo, 22 de março de 2009

Todai Garden

Encontrar um restaurante japonês dos bons, em São Paulo, é uma tarefa um tanto quanto difícil. Apesar das infinitas opções que surgiram por aqui na última década, são poucos os redutos onde vale a pena passar o cartão.

Os requisitos para um rodízio de primeira são muitos: oferecer peixes frescos, coloridos e saborosos; uma variação de pratos quentes razoável; uma cadência bacana de comida à mesa, sem chegar tudo de uma vez só e sem aguardar muito pela próxima rodada; oferecer um temaki que te faça querer outro na mesma hora; surpreender em pratos exóticos, que te faça acreditar que não existe aquilo em nenhum outro local da cidade.

Pois bem, na minha opinião todos esses requisitos são preenchidos pelo Todai Garden, em Perdizes. Na sexta-feira esse casal que vos escreve comeu lá com a agradabilíssima companhia do casal Ro e Fel – que, respectiva e carinhosamente, lembram aquele desenho A Bela e a Fera... lembra, que lindo?

O precinho é salgado: R$ 40 pelo rodízio. Mas, tanto eu quanto Maricota sempre concordamos que vale a pena. Afinal, ainda aceita VR!

O ambiente também é uma delícia. Se quiser, há mesas dentro ou fora, para sentir a brisinha da noite. Ou, se preferir, existem mesas no tatame – onde você pode se esticar depois de comer que nem um porco (porco come peixe cru?). Na sexta-feira, nos sentamos do lado de fora e acertamos em cheio.

O papo foi ótimo, as risadas me animaram para um fim de semana de plantão, a comida – pra variar – foi show de bola. O único “porém” foi o atendimento e a indecisão dos garçons. Apesar de super atenciosos e educados, se confundiram pacas, principalmente para trazer o franguinho empanado com molho tarê (diliça!), que veio só no final, depois de 5 ou 6 pedidos.

Pra mim, pecado capital.

Nota 8, porque se eu não fosse ranzinza teria sido 9 e tem potencial para ser 10.

sexta-feira, 20 de março de 2009

BarBolla

Eu gosto de março porque é um mês em que muita gente especial faz aniversário. Temos festas todas as semanas, em mais de um dia, o que eu adoro! Na quinta-feira, 19, fomos dar um abraço na Paulinha, uma amiga que estudou com o Gabi na faculdade e que é muito querida pelo casal.

Como não podia ser diferente, ela nos levou a um lugar legal, com música boa e amigos divertidos. O BarBolla, no Morumbi, é um bar aconchegante, com uma decoração charmosa e iluminação difusa.

Quem embalou a noite com repertório de MPB foi o trio Conversa Afinada, à voz de Vanessa Mamão, amiga da aniversariante que canta nas horas vagas (mas todos concordamos que ela deveria cantar nas horas não vagas também!).

O cardápio tem muitas opções de pratos, mas apesar da hora, preferimos experimentar as porções. Foram três escolhidas: pastéis, bolinhos de mandioca com carne seca e bolinhos de arroz. Vieram quentinhas e foram devoradas em questão de minutos, o que me faz acreditar que o povo aprovou! Para beber, Serra Malte geladinha.

O serviço também é ótimo. O garçom que nos atendeu era discreto e solícito, estava sempre atento aos nossos pedidos e não deixava os copos esvaziarem.

Ficamos só um pouquinho porque esta que vos escreve não estava se sentindo muito bem. Deixamos R$ 60 com a aniversariante. Pagamos uma porção, duas cervejas, couvert artístico merecido de R$ 8 e alguma parte dos 10%.

Eu adorei. Não fosse tão longe, voltaria mais vezes ao BarBolla. A propósito, nós estávamos em turma, mas me parece que lá também é uma boa opção para ir a dois. Nota 9, porque o Gabi não gostou tanto assim da decoração e eu sou democrática.

terça-feira, 17 de março de 2009

Badebec

Terça-feira de chuva na Grande São Paulo. Nada mais justo que escolher um local perto do trabalho, para não enfrentar trânsito ou, se bobear, sentir a água da enchente invadindo o seu carro. Por sugestão da Maricota, hoje fomos ao Badebec, no piso térreo do Shopping Market Place.

Desta vez não vou me alongar no conteúdo dos pratos - que, cá entre nós, estavam deliciosos, com uma variedade ímpar e combinações inesperadamente saborosas. Ah, e um carpaccio muito bem temperado, o que de acordo com a Mari é difícil de encontrar por aí.

Este post será dedicado ao atendimento, requisito primordial para que o bom humor não se altere na hora de colocar o garfo na boca.

No Badebec, talvez esse seja o prato principal: garçons atenciosos, educados, discretos, de prontidão.

Explicaram com calma o funcionamento do restaurante. Trouxeram o refrigerante enquanto pegávamos a salada. Quando não sabíamos o que eram alguns pratos, disseram sem titubear. Poucos segundos depois de terminada a entrada, retiraram os pratos com toda a educação e delicadeza que lhes cabiam naquele momento. Depois do prato principal, idem.

Na hora da sobremesa (quanta coisa boa!), explicaram detalhe por detalhe. Sem fazer cara feia, nem esbanjar simpatia. Apenas fazendo aquilo que deviam numa boa.

A continha veio lá por R$ 95 (entre buffet de R$ 29 + buffet de sobremesas de R$ 9 + refrigerantes + 10% de atendimento). Pela variedade, pelo gosto e principalmente pelo atendimento, mais que justo. Mais um nota 10.

Agora há pouco, entrei no site e descobri o significado de Badebec: deusa da satisfação que fez os deuses despertarem para o prazer do paladar.

Mantra que todo garçom e garçonete deveria seguir à risca.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Geribá

Uma tentativa frustrada de ir ao cinema nos levou a um barzinho. A gente bem que podia ter repetido um dos já preferidos, mas nessa onda de experimentar, fomos ao Geribá. O lugar fica numa esquina da av. Sumaré, na Pompéia (ou Perdizes? Nunca sei). A decisão foi tomada mesmo depois do Gabi confessar que não curte os barzinhos do bairro. Mas o Geribá já tinha chamado a atenção dele e a minha.

Às 20h30, as mesinhas da calçada estavam quase todas ocupadas por um pessoal mais velho. Escolhemos uma do lado de dentro, perto da janela. Pedimos um chopp para cada e uma porção de Bolinhos de Mandioca com Carne Seca. O chopp, diz o Gabi, um especialista no assunto, veio geladinho. Parei no primeiro e pedi uma Coca Light.

Oito bolinhos (grandes!) crocantes chegaram quentinhos à mesa. Para temperar, limão e pimenta. Dada a primeira mordida, o casal não se decepcionou: o recheio era generoso! Na mesa ao lado, os pastéis estavam com uma cara deliciosa, mas não provamos mais nada porque o fim de semana já tinha sido beeeeeem servido.

No fim, o anfitrião desse blog só reclamou um pouquinho do atendimento, que acabou prejudicado pela mesa suja: quando chegamos, demoraram para limpar; quando o garçom trouxe o chopp e derrubou na mesa, não voltou para passar um paninho.

Mais uma vez, a conta foi paga pelo Gabi. Quem sou eu para não aceitar gentilezas? Bebidas + porção + 10% (parcialmente merecido) = R$ 39. O casal vai voltar para experimentar as outras porções, mas sem pressa. Nota 8.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Insalata

O restaurante que inaugura esse blog foi descoberto depois de uma reclamação da Mari. A observação veio em boa hora. “Estamos saindo demais para comer! Desse jeito vamos nos tornar duas bolas”. Tem reclamação mais típica de menina?

Em seguida, veio a minha sugestão de tentar um restaurante de saladas – como rezam os mandamentos de um bom companheiro (pffff). Mesmo que esse casal não seja fã do verde (em tempo: das folhas mastigáveis e do timinho de futebol que carrega essa bandeira), essa seria uma boa opção para sentarmos num lugar agradável, bater um papo, dar risada e ao mesmo tempo matar a fome – disparadamente uma das melhores coisas da vida.

Sugestão aceita, dei um google e rapidamente cheguei ao Insalata, que fica na Alameda Campinas, próximo à Rua Estados Unidos. Só a localização já assusta, mas o preço não é lá tão alto. A Mari deu uma olhada no site, gostou e lá fomos nós.

Depois de 5 minutinhos de espera do lado de fora – sim, o local estava cheio, isso porque eram quase 22h! –, nos acomodamos num cantinho bem aconchegante e logo pedimos umas Bruschettas de entrada, acompanhadas de uma Coca com gelo e limão (pra mim!) e um suco de morango com maracujá (combinação preferida e de muito bom gosto da Mari).

Em menos de 10 minutos, elas chegaram, bem quentinhas. Quatro unidades, com presunto cru, queijo brie e mel. Entrada aprovada com louvores pelo casal.

O cardápido de pratos princiaps é farto, vai além das saladas. Há opções de tortas e quiches, sanduíches no ciabatta, risottos e massas. Variedade para todos os gostos.

Logo em seguida já chegaram os pratos que escolhemos. Para mim, a salada Mantova: uma grande cumbuca com mix de folhas verdes, mussarela de búfala, frango defumado, champignon, queijo parmesão (sinceramente não vi essa parte), fundo de alcachofras (que preferi dar pra Mari), tomate cereja, batata palha, crispies de bacon e molho à base de azeite.

Para a Mari, a salada Carpaccio de Salmão: forrado de carpaccio de salmão defumado, o prato era coberto por um mix de folhas verdes, tomate cereja, nozes (que vieram à parte e, na verdade, completaram o MEU prato), torradas com cream cheese e molho à base de mostarda e alcaparras.

Foi estranha a sensação de saborear pratos de salada. Isso nunca tinha passado pela minha cabeça – e acho que se eu contar pra senhora minha mãe, dona Hilda, ela não acredita. Tantos anos insistindo pra eu comer salada, e só agora... Mas inacreditavelmente foi bom. Muito bom.

O Insalata é muito movimentado, frequentado por gente de todas as idades (principalmente um pessoal jovem e bonito). O atendimento é super rápido, garçons e garçonetes simpáticos, atenciosos e eficientes. Por mim, nota 10.

A conta foi paga pelo anfitrião – que ultimamente tem feito questão de prestar gentilezas à nobre dama. Entradas + bebidas + pratos principais + 10% (merecidos) = R$ 76. Se fizer os cálculos, R$ 38 por pessoa. Ficou dentro do esperado.

Lido, editado e aprovado, o Insalata entra para a seleta lista dos bons restaurantes da vida.